Lula defende autonomia do Mercosul e elogia Pix em cúpula

Lula defende autonomia do Mercosul, pede diálogo com todos os parceiros e destaca o Pix como referência internacional em inclusão financeira e eficiência digital.

Lula defende autonomia do Mercosul e elogia Pix em cúpula

Em um cenário de ascensão de governos de direita e centro-direita na América do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 68ª Cúpula do Mercosul, defendeu nesta terça-feira (30) que os países do bloco rejeitem "alinhamentos automáticos" e "escolhas excludentes". Lula enfatizou a necessidade de diálogo e diversificação de parcerias para que a região mantenha sua autonomia e espaço em um mundo em constante transformação.

## Autonomia e Cooperação Regional

"Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul", declarou o presidente, ressaltando que a força do Mercosul reside na capacidade de dialogar com todas as nações, sem negligenciar os interesses regionais. Ele propôs que o bloco se torne um mecanismo para o enfrentamento de desastres naturais e o financiamento da adaptação climática, especialmente diante dos impactos previstos pelo fenômeno El Niño. Lula também mencionou a intenção de iniciar negociações para uma parceria com o Japão e, futuramente, com a China, como exemplos de ampliação de cooperação.

## O Pix como Referência Internacional

Em um momento de tensões comerciais com os Estados Unidos, que ameaçam taxar produtos brasileiros, Lula utilizou a cúpula para exaltar o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil foi citado como uma "referência internacional em inclusão financeira e eficiência digital". A menção ganha relevância ao surgir em meio a discussões sobre práticas comerciais e a busca por maior autonomia econômica regional.

## Desafios Globais e Locais

O presidente reiterou que a democracia enfrenta ameaças globais e que o protecionismo tem ressurgido como uma resposta aos desequilíbrios macroeconômicos. Ele classificou o crime organizado como um dos maiores desafios da região, defendendo a necessidade de intensificar a cooperação policial, judicial e financeira em escala compatível com a atuação dessas organizações. A cúpula também marcou o anúncio do lançamento do Focem 2 (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul), com aumento da contribuição brasileira e a incorporação da Bolívia, visando reduzir assimetrias e financiar infraestrutura.

Lula concluiu sua participação reafirmando o Mercosul como prioridade para o Brasil e a importância de manter o país democrático, em um discurso que evitou menções diretas a adversários políticos, mas deixou clara a sua visão sobre a responsabilidade de governar.