Lula: Esperar 'dinheiro sobrando' impede investimentos no Brasil
Presidente Lula defende investimento contínuo em áreas como educação e infraestrutura, mesmo com alerta do Tesouro sobre pressão fiscal e aumento de despesas obrigatórias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (3) que a espera por uma autorização do Ministério da Fazenda e do Planejamento, sob a justificativa de que “está sobrando dinheiro”, impede o país de realizar investimentos cruciais. “Se eu esperar o meu pessoal da Fazenda e o meu pessoal do Planejamento dizer para mim: ‘olha, está sobrando dinheiro, vamos colocar na Educação’, a gente nunca vai investir. Porque nunca vai sobrar. Dinheiro público nunca sobra”, afirmou o presidente durante um evento no Palácio do Planalto.
## Contraste com Alerta do Tesouro
A declaração presidencial surge em um momento de atenção redobrada com as contas públicas. Dias antes, o Tesouro Nacional divulgou um relatório preocupante, projetando um aumento significativo da pressão fiscal nos próximos anos. O documento aponta que o arcabouço fiscal atual pode não ser suficiente para garantir a sustentabilidade das finanças públicas entre 2028 e 2030, demandando ajustes adicionais.
## Desafio das Despesas Obrigatórias
O cerne da questão fiscal, segundo o Tesouro, reside no crescimento acelerado das despesas obrigatórias, que avança em ritmo superior à capacidade do governo de gerar espaço orçamentário. Gastos com Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC) são os principais impulsionadores desse aumento. A projeção é que a despesa previdenciária salte de R$ 1,1 trilhão para mais de R$ 1,6 trilhão (em valores constantes), com um crescimento real anual médio de 3,5%. No caso do BPC, o avanço é ainda mais expressivo, com a despesa podendo ir de R$ 148 bilhões para R$ 255 bilhões em uma década, um crescimento real de 5,6% ao ano.
## Margem de Manobra Reduzida
Essa escalada das obrigações, somada às vinculações constitucionais — como os pisos para saúde e educação — e às emendas parlamentares, comprime drasticamente a margem de manobra do orçamento. O resultado é uma redução gradual do espaço para investimentos e outras despesas discricionárias, que tendem a perder relevância no bolo orçamentário ao longo do tempo. O presidente, contudo, defende que o papel do Estado é justamente aplicar recursos em projetos que beneficiem a população, citando obras de infraestrutura, educação e saúde como exemplos de onde o "dinheiro bom" deve ser investido.
## Calendário Eleitoral e Obras
Durante sua agenda, Lula também abordou as restrições impostas pelo calendário eleitoral. Ele informou que o governo se absterá de inaugurar novas obras durante o período de vedação legal, mas sinalizou que continuará visitando empreendimentos em andamento. "Agora a gente não pode inaugurar mais nada até as eleições. Embora não possa inaugurar, eu vou visitar muitas coisas que ainda tenho que visitar", declarou, reafirmando a defesa do investimento estatal como motor de crescimento econômico e geração de empregos, mesmo em um cenário de aperto fiscal.