Michelle Bolsonaro tenta apagar incêndio após elogio a programa de Lula

Michelle Bolsonaro tenta conter crise após elogiar programa de Lula para surdos. Ex-primeira-dama defende pautas inclusivas e minimiza autoria, mas críticas de aliados persistem.

Michelle Bolsonaro tenta apagar incêndio após elogio a programa de Lula

Michelle Bolsonaro recorreu às redes sociais neste sábado, 4 de julho de 2026, para tentar amenizar a controvérsia gerada por seu elogio a uma política nacional de educação bilíngue para surdos, lançada pelo governo do presidente Lula.

A publicação, divulgada um dia após o comentário inicial que gerou forte reação em parte da base bolsonarista, busca posicionar a ex-primeira-dama como defensora de pautas inclusivas, independentemente de alinhamentos partidários. Segundo Michelle, a causa das pessoas com deficiência transcende ideologias e partidos. Ela citou como exemplo a Lei Amália Barros, sancionada por Jair Bolsonaro, que reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial. De acordo com Michelle, seu marido teria avaliado o mérito da proposta sem considerar a filiação partidária de seu autor, um parlamentar do PT.

## Contexto da política educacional

A ex-primeira-dama também argumentou que a política de educação bilíngue para surdos já estava em desenvolvimento durante a gestão de Bolsonaro. Conforme relatado por ela, a iniciativa teria sofrido atrasos em sua implementação devido a uma ação judicial, o que impediu sua conclusão antes do fim do mandato presidencial. Michelle concluiu sua mensagem enfatizando que o mais importante são os beneficiários da política, e não a sua autoria, reiterando seus parabéns à comunidade surda.

## Repercussão e crise interna no PL

A declaração inicial de Michelle, na sexta-feira, 3 de julho, classificando o programa do Ministério da Educação (MEC) como um "sonho realizado", provocou uma onda de críticas em grupos bolsonaristas nas redes sociais. Parlamentares e lideranças do Partido Liberal (PL) compartilharam mensagens depreciativas, incluindo montagens que associavam a ex-primeira-dama ao PT e a acusaram de "traição".

Este episódio agrava a crise interna que já vinha se manifestando no PL. Na semana anterior, Michelle Bolsonaro havia tornado público um desentendimento com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro, alegando ter sido tratado com desrespeito em uma ligação. Flávio Bolsonaro se desculpou publicamente poucas horas depois, mas a situação evidenciou divisões dentro da legenda e culminou na saída de Michelle do comando do PL Mulher.