MP Eleitoral exige filtros contra candidatos ligados a facções
MP Eleitoral recomenda que partidos políticos verifiquem antecedentes de candidatos para impedir que pessoas ligadas a facções disputem eleições em 2026.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) deu um passo firme para blindar as eleições de 2026 contra a influência do crime organizado. Em uma recomendação enviada aos diretórios estaduais dos partidos políticos no Amapá, o órgão orienta as legendas a implementarem mecanismos rigorosos de verificação de antecedentes e a comunicarem imediatamente quaisquer suspeitas de vínculos de seus pré-candidatos com facções criminosas.
A iniciativa, formalizada nesta quarta-feira (1º), surge como resposta a preocupações crescentes com a infiltração de organizações criminosas na política, especialmente após casos em 2024 onde indivíduos e até um candidato a vereador foram detidos pela Polícia Federal sob acusação de ligação e financiamento de grupos criminosos.
## Mecanismos de Verificação Propostos
Entre as principais sugestões do MPE está a exigência de certidões criminais para todos os aspirantes a cargos eletivos. O objetivo é permitir que os partidos realizem uma análise aprofundada da trajetória de cada pré-candidato, identificando possíveis antecedentes criminais e conexões com atividades ilícitas.
Além disso, os partidos são instruídos a desenvolver procedimentos internos de checagem antes mesmo das convenções partidárias. Candidatos que apresentem indícios consistentes de envolvimento com facções devem ser impedidos de participar do processo de escolha interna. Caso essa constatação ocorra após a convenção, a recomendação é clara: o nome não deve ser encaminhado à Justiça Eleitoral para registro.
## Comunicação e Prazos
Se a suspeita de ligação com o crime surgir após o registro formal da candidatura, o partido tem o dever de notificar o Ministério Público Eleitoral de imediato, fornecendo todas as evidências disponíveis para a apuração. Os diretórios estaduais têm um prazo de 10 dias úteis para responder ao MPE, detalhando as medidas adotadas e como pretendem implementar as ações preventivas sugeridas.
A recomendação do MPE busca fortalecer a integridade do processo eleitoral e garantir que a representação política seja exercida por cidadãos sem ligações com a criminalidade organizada, reforçando a confiança nas instituições democráticas.