Oposição venezuelana acusa governo de impedir retorno de líder
Líder opositora venezuelana María Corina Machado acusa o governo de impedir seu retorno ao país, citando fechamento do espaço aéreo e intimidações, em meio a um cenário pós-terremoto e instabilidade política.

A proeminente figura da oposição venezuelana, María Corina Machado, fez sérias acusações contra o governo de seu país nesta segunda-feira (29), alegando que seu retorno à Venezuela está sendo deliberadamente impedido. Machado, que se encontra no exílio desde dezembro, quando deixou o país para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, expressou sua frustração através de um vídeo divulgado na plataforma X, transmitido diretamente do Panamá.
## Denúncias de bloqueio e intimidação
Em sua declaração, Machado afirmou que a administração de Delcy Rodríguez estaria bloqueando sua entrada para que ela não possa estar presente em um momento considerado crucial para os venezuelanos, especialmente após um forte terremoto que abalou o país. Segundo a líder opositora, o governo teria inicialmente fechado o espaço aéreo comercial venezuelano com o objetivo explícito de impedir sua chegada. Embora essa medida tenha sido posteriormente revertida, Machado denunciou que houve ameaças direcionadas a indivíduos dispostos a auxiliá-la em seu retorno.
A situação se desenrola em um contexto de instabilidade após um terremoto ter deixado mais de 1.700 mortos e causado significativos danos estruturais. O aeroporto internacional de Maiquetía, que serve a capital Caracas, sofreu avarias e, embora tenha sido reaberto parcialmente para voos humanitários, voos comerciais internacionais estão sendo operados a partir dos aeroportos de Valência e Maracaibo.
## Contexto político e instabilidade
A declaração de Machado adiciona uma nova camada de tensão política ao cenário venezuelano. A líder opositora já vinha enfrentando obstáculos políticos em sua trajetória. A situação atual é agravada pela recente captura do então presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, que levou à vice-presidente Delcy Rodríguez a assumir a presidência interina, governando sob a influência de pressões de Washington. A impossibilidade de retorno de Machado, uma voz influente na oposição, levanta questões sobre a liberdade de expressão e o processo democrático no país.