PP do Acre: Fidelidade em Xeque Após Apoio a Opositores

Jornalistas avaliam que o PP do Acre perdeu força para cobrar fidelidade de prefeitos após o governador apoiar candidata rival em 2020, enfraquecendo a disciplina partidária.

PP do Acre: Fidelidade em Xeque Após Apoio a Opositores

A força política do Progressistas (PP) no Acre para exigir fidelidade de seus prefeitos sofreu um abalo significativo, segundo análise dos jornalistas Luís Carlos Moreira Jorge, conhecido como Crica, e Astério Moreira. Durante o programa Boa Conversa, eles discutiram o recente movimento de prefeitos filiados ao PP que optaram por apoiar outros pré-candidatos ao governo estadual, em vez de se alinharem a um nome do próprio partido.

O cerne da questão, na visão dos comentaristas, remonta a 2020. Naquele ano, o então governador Gladson Cameli (PP) decidiu apoiar a candidatura de Socorro Nery, que era prefeita de Rio Branco e não pertencia ao PP, em detrimento de Tião Bocalom, que era o candidato indicado pelo próprio partido para a prefeitura da capital acreana. Esse movimento de Cameli criou um precedente que, segundo Crica e Astério, enfraquece a capacidade do PP de impor disciplina partidária aos seus filiados na atualidade.

A avaliação é que, ao não defender o candidato próprio em 2020 e apoiar um nome de fora do partido para a disputa majoritária, o PP abriu mão de sua autoridade para cobrar lealdade dos prefeitos que hoje buscam alianças fora do espectro progressista. Essa postura anterior, de acordo com a análise, torna qualquer tentativa de punição ou cobrança de fidelidade por parte da cúpula do partido uma ação com pouca base política e respaldo questionável.

Assim, a perda de força para cobrar fidelidade dos prefeitos é vista como uma consequência direta de decisões passadas que privilegiaram alianças externas em detrimento da unidade interna. O cenário atual, com prefeitos do PP buscando outros caminhos, reflete essa dificuldade em manter a coesão partidária, fragilizada por ações anteriores.