PSOL ignora PT e lança candidaturas próprias no RN para 2026
PSOL RN mantém candidaturas próprias ao governo e Senado, frustrando planos do PT de unificar a esquerda para sucessão de Fátima Bezerra. Partido busca apresentar propostas independentes.

A menos de três semanas do início das convenções partidárias para oficializar candidaturas às eleições de outubro, o cenário político no Rio Grande do Norte se complica para o Partido dos Trabalhadores (PT). A legenda busca unificar a esquerda em torno de um projeto para eleger o sucessor da governadora Fátima Bezerra (PT), mas encontra resistência do PSOL.
O presidente da Federação PSOL/REDE, Sandro Pimentel, informou publicamente que as decisões do PSOL são tomadas de forma colegiada, com participação da militância e dirigentes. Internamente, já há objeções à formação de alianças com o PT, PV/PC do B — aliados na Federação Brasil da Esperança — além do PDT e PSB.
O pré-candidato do PSOL ao governo do Rio Grande do Norte, professor universitário e ex-vereador Robério Paulino, declarou que, embora uma aliança com o PT seja possível no segundo turno, o partido deseja apresentar suas propostas programáticas de transformação profunda para o estado. "Precisamos ter cara própria", afirmou Paulino, reforçando a decisão unânime do Diretório Estadual do PSOL, tomada na semana passada, de manter suas pré-candidaturas ao governo e ao Senado Federal, apesar dos apelos do PT.
Robério Paulino comunicou essa decisão na reunião com o PT, realizada na segunda-feira (29/6). A presidente estadual do PT e vereadora em Natal, Samanda Alves, por sua vez, indicou que o convite formal ao PSOL é uma etapa natural nas discussões eleitorais, visto que o partido já integra a aliança em torno da reeleição do presidente Lula. Ela chegou a brincar que a "time de Lula não está totalmente fechado ainda no Rio Grande do Norte, porque falta a gente fazer esse diálogo mais fraterno com o PSOL".
Samanda Alves citou exemplos de lutas conjuntas entre PT e PSOL, como a demanda pelo fim da escala 6x1, iniciada por um parlamentar do PSOL e incorporada pelo presidente Lula e parlamentares do PT, que avança no Congresso Nacional.
## Resistência e Múltiplas Candidaturas
A decisão do PSOL de lançar candidatura própria ao governo não é recente, tendo sido deliberada em 6 de março. Além disso, o partido já havia definido a pré-candidatura de Sandro Pimentel ao Senado. Há uma semana, a médica Sônia Godeiro também foi lançada como pré-candidata ao Senado pelo PSOL, evidenciando a estratégia do partido de apostar em candidaturas independentes e apresentar um leque de opções à eleitorado potiguar.
Essa postura do PSOL dificulta os planos do PT de consolidar uma frente ampla de esquerda no estado, que visava fortalecer a candidatura de Fátima Bezerra para sua sucessão. A manutenção das candidaturas próprias pelo PSOL indica que a negociação para uma aliança unificada será mais complexa do que o esperado pelo partido de centro-esquerda.