RJ: Auditoria Revela Funcionários Fantasmas em Todos os 77 Órgãos Estaduais
Pente-fino no Governo do RJ: Auditoria da CGE encontra funcionários fantasmas em todos os 77 órgãos estaduais. Mais de 4.200 comissionados são demitidos, gerando economia de R$ 355 milhões anuais.

Uma auditoria abrangente realizada pela Controladoria Geral do Estado (CGE) do Rio de Janeiro expôs uma situação alarmante: a presença de funcionários fantasmas em todos os 77 órgãos que compõem a administração estadual. Servidores em cargos comissionados foram identificados em uma lista de "alta criticidade" após a constatação de que não registravam ponto, não realizavam login nos sistemas corporativos e sequer acessavam o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), ferramenta essencial para a tramitação de documentos oficiais.
As investigações apontam para fortes ligações políticas desses comissionados com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a gestão estadual anterior e com ex-titulares de secretarias. Em resposta a esse esquema, o governador em exercício, Ricardo Couto, deflagrou uma ampla operação de exonerações. Até o momento, mais de 4.283 comissionados já foram desligados dos seus cargos.
## Economia Milionária com Pente-Fino
O impacto financeiro da extinção dessas estruturas e das demissões promete trazer um alívio significativo para os cofres públicos fluminenses. Secretarias como a de Trabalho (com redução de 78,6%), Esporte e Lazer (75,6%), Turismo (73,3%) e Cultura, Tecnologia e Inovação (65,6%) registraram as maiores reduções de cargos comissionados. Atualmente, 60 dos 77 órgãos já concluíram a auditoria, projetando uma economia anual de R$ 355 milhões, incluindo verbas como décimo terceiro salário e férias. As saídas ocorridas apenas entre março e maio já representam um corte de aproximadamente R$ 15 milhões mensais.
## Extinção de Subsecretarias e Casos Emblemáticos
O esquema de "cabide de empregos" resultou na extinção completa de subsecretarias, especialmente na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e na Casa Civil. Em depoimentos, muitos comissionados alegaram realizar "trabalho externo", mas não conseguiram comprovar suas atividades. Um caso emblemático é o de um comissionado que, apesar de lotado em uma subsecretaria extinta com salário de R$ 10.903,66, admitiu não lembrar o nome de seu superior direto.
## Estruturas Familiares e Indicações Políticas
A auditoria também desvendou casos de nepotismo e indicações políticas. O ex-secretário municipal Marcus Wilson Von Seehausen e seu filho, João Antonius Von Seehausen, foram exonerados após constarem na lista, recebendo salários líquidos expressivos. A Subsecretaria de Conscientização Ambiental, onde 37 vagas foram extintas, era liderada por Thamires Rangel, filha de um deputado estadual preso. Outro caso notório foi o de Bruna Castello Branco Costa Motta, uma influenciadora digital que, mesmo sem histórico de acesso aos sistemas estaduais, acumulou mais de R$ 9,6 mil em férias indenizadas.
## Novas Regras para Impedir Retorno
O governo estadual intensificou as medidas para evitar o retorno de funcionários fantasmas ao serviço público. Um decreto estabelece uma lista especial de restrição para todos os comissionados demitidos sob suspeita de fraude, proibindo-os de retornar aos seus órgãos de origem. Os gestores das demais secretarias têm prazos rigorosos para apresentar listas complementares de servidores irregulares e efetivar os desligamentos imediatos, buscando consolidar a economia e a eficiência na máquina pública.