Brasil impulsiona vacinação com produção nacional e tecnologia
Brasil intensifica produção nacional e transferência de tecnologia em vacinas para recuperar cobertura vacinal e reduzir dependência externa. Inovações incluem plataforma de RNAm.

O Brasil tem apresentado uma recuperação notável em suas políticas de imunização, revertendo um cenário de queda na adesão vacinal e forte disseminação de desinformação que marcou o período entre 2016 e 2022. A estratégia para reafirmar o protagonismo nacional no setor de vacinas envolveu investimentos robustos na produção interna, um impulso renovado à pesquisa científica e a celebração de acordos para transferência de tecnologia.
Essas ações foram complementadas pela reconstrução do Programa Nacional de Imunizações (PNI), com a implementação de campanhas de multivacinação e a vacinação em ambientes escolares. A estruturação da política pública do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, em 2023, e a retomada de investimentos em Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) foram cruciais. Conforme explica Eder Gatti, diretor do PNI, as PDPs visam transferir tecnologia de laboratórios privados para instituições públicas brasileiras, diminuindo a dependência de insumos estrangeiros e garantindo maior segurança no abastecimento.
## Comunicação e Dados: Ferramentas Essenciais
O Ministério da Saúde aprimorou seus canais de comunicação, utilizando redes sociais para incentivar a adesão da população às vacinas. Paralelamente, a informatização e o monitoramento dos registros vacinais foram otimizados, proporcionando maior eficiência no planejamento das ações. A consolidação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), um data lake onde todas as vacinas são registradas, permite que os brasileiros consultem suas informações na caderneta digital do aplicativo Meu SUS.
## Resultados Expressivos na Cobertura Vacinal
Essas iniciativas já demonstram resultados significativos. Nos últimos três anos, observou-se um aumento de 10 a 15 pontos percentuais na cobertura de praticamente todas as vacinas do calendário infantil. A vacina contra o HPV (papilomavírus humano) em adolescentes também apresentou melhora expressiva, atingindo quase 90% de cobertura em meninas e saltando de 40% para 80% em meninos. O Brasil mantém o compromisso de ser uma área livre da circulação endêmica de sarampo, um reconhecimento da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas-OMS) em 2024, após o país ter registrado mais de 20 mil casos da doença em 2019.
## Produção Nacional e Tecnologias de Ponta
Com mais de 75 mil salas de vacinação em todo o país, o Brasil, que possui um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo integrado ao SUS, tem avançado na internalização da produção de imunizantes. Vacinas contra febre amarela, gripe e tríplice viral já são produzidas integralmente no território nacional. O Instituto Butantan e o Bio-Manguinhos (da Fiocruz), por meio de parcerias de transferência de tecnologia, foram fundamentais na viabilização da vacina contra a COVID-19.
O Bio-Manguinhos, em particular, desenvolveu uma plataforma nacional de RNA mensageiro (RNAm), com potencial para garantir maior autonomia tecnológica e reduzir custos. Essa plataforma, já patenteada, tem a vacina contra a COVID-19 como o projeto mais próximo de chegar a estudos clínicos, com expectativa de registro final em 2028. Pesquisas com a mesma tecnologia para vacinas contra tuberculose e leishmaniose estão em andamento. Além disso, o Bio-Manguinhos trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra chikungunya com vetor viral e uma vacina de febre amarela com vírus inativado, voltada para públicos que não podem receber a versão com vírus vivo atenuado.
## Fortalecimento de Parcerias Estratégicas
Acordos com laboratórios internacionais, como o da vacina tríplice viral da GSK, permitiram ao Brasil absorver conhecimento e dominar a produção de imunizantes, abrindo caminho para o desenvolvimento de outras vacinas combinadas. Um acordo mais recente com a GSK prepara o Bio-Manguinhos para produzir a vacina contra meningite ACWY. A política de PDPs, sob coordenação do Ministério da Saúde, tem sido um pilar para fortalecer a capacidade nacional em saúde.