Febre Amarela: Estudo Revela Dinâmica Explosiva em SP

Estudo detalha o surto de febre amarela silvestre em SP em 2017, revelando dinâmica explosiva e R0 de 8,2, com lições para a vacinação antecipada.

Febre Amarela: Estudo Revela Dinâmica Explosiva em SP

Um estudo colaborativo entre pesquisadores brasileiros e britânicos desvendou a dinâmica do surto de febre amarela silvestre que impactou a Região Metropolitana de São Paulo há nove anos. A investigação, publicada na revista Nature Microbiology, analisou o evento que causou mais de 90 mortes, dizimou a população de bugios no Horto Florestal e gerou uma corrida pela vacinação.

Os cientistas reconstituíram o surto iniciado em outubro de 2017, quando a descoberta da carcaça de um macaco marcou o início de uma rápida disseminação viral. Em seis semanas, o vírus dizimou cerca de 80 bugios no parque. O estudo calculou pela primeira vez o número básico de reprodução (R0) da febre amarela silvestre em 8,2, um índice considerado extremamente alto para doenças transmitidas por mosquitos, indicando que um primata infectado podia transmitir o vírus para outros 8 animais em média.

A pesquisa aponta o mosquito Haemagogus leucocelaenus como vetor principal, com seu comportamento de infectar tanto no solo quanto na copa das árvores acelerando a transmissão. Os autores ressaltam a necessidade de antecipar a vacinação, pois a janela entre o primeiro alerta e o pico de transmissão é curta, e a vacina leva tempo para fazer efeito, deixando a população vulnerável.