Magreza Extrema Após 40 Anos: Riscos Crescentes para Mulheres
Mulheres com mais de 40 anos enfrentam riscos de saúde ao buscar magreza extrema, como perda muscular, osteoporose e transtornos alimentares. O Brasil lidera procedimentos estéticos, refletindo pressão cultural.

A busca por um corpo extremamente magro, que ressurgiu como um padrão estético influenciado por figuras icônicas dos anos 1990, como a modelo Kate Moss, não se restringe mais a jovens. Mulheres com mais idade também estão sendo afetadas por essa pressão, com celebridades como Olivia Wilde, Nicole Kidman e Demi Moore ostentando silhuetas cada vez mais delgadas em eventos públicos. No entanto, perseguir a magreza excessiva após os 40 anos acarreta riscos elevados, potencializando problemas comuns do envelhecimento.
Entre os perigos estão a perda acelerada de massa muscular e força, desnutrição e o desenvolvimento de osteoporose. Dietas inadequadas nesse período podem comprometer a saúde óssea e muscular, além de afetar a pele e os cabelos, diminuindo a produção de colágeno. No Brasil, mulheres na faixa dos 47 anos, em média, destacam-se como as maiores usuárias de medicamentos emagrecedores, conforme aponta um levantamento recente. Essa tendência é impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a vulnerabilidade natural dessa fase da vida, marcada por mudanças físicas e sociais.
## Vulnerabilidade na Menopausa e Pressão Estética
A chegada da menopausa traz consigo alterações fisiológicas esperadas, como o acúmulo de gordura abdominal e a diminuição da elasticidade da pele, resultando em rugas. Quando essas mudanças naturais se somam à pressão social contínua por um corpo magro, intensificada pela estética "magreza extrema 2.0" da era digital, o impacto psicológico sobre as mulheres pode ser severo.
Segundo Fábio Salzano, psiquiatra e vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da USP (IPq), este é um período de particular vulnerabilidade. A busca por soluções rápidas, como o uso de medicamentos para emagrecer sem prescrição médica ou a restrição alimentar severa, torna-se uma tentação.
## Brasil Lidera Procedimentos Estéticos
O Brasil figura como o país com o maior número absoluto de procedimentos estéticos faciais no mundo, registrando mais de 910 mil intervenções em 2024. No cenário global de cirurgias estéticas, o país também lidera, com mais de 2,3 milhões de procedimentos realizados no mesmo ano, incluindo um alto volume de cirurgias nas pálpebras. Essa estatística reflete a intensa busca por rejuvenescimento e a adequação a padrões estéticos rigorosos.
Karen de Marca, endocrinologista e presidente eleita da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), alerta para a irracionalidade de tentar replicar a aparência de 20 ou 30 anos. "É impossível manter o mesmo corpo, a mesma pele e o mesmo cabelo que você tinha aos 20, 30 anos. E é uma loucura o que as mulheres acabam fazendo para tentar obter isso", pontua. Ela ressalta que a associação entre magreza extrema, felicidade e sucesso gera um estresse psíquico considerável, com consequências sérias para a saúde.
## Riscos de Transtornos Alimentares
Salzano complementa, destacando a influência cultural que associa juventude e magreza a maior valor social. Ele observa que, em vez de receberem a atenção e o cuidado necessários diante de uma perda de peso expressiva, muitas mulheres são elogiadas, perpetuando um ciclo prejudicial. A preocupação deveria ser com a saúde e o bem-estar nessa fase da vida, e não com a submissão a dietas restritivas que elevam o risco de transtornos alimentares.
Estudos indicam que as transformações associadas à menopausa podem tornar essa fase da vida tão crítica para o desenvolvimento de transtornos alimentares em mulheres quanto a puberdade é para adolescentes. A predisposição genética e o histórico familiar de doenças psiquiátricas também são fatores que merecem atenção especial nesse contexto.