Queda nas mortes por meningite desacelera e ameaça meta da OMS

Estudo revela que o ritmo de queda nas mortes por meningite no mundo é insuficiente para atingir a meta da OMS de 70% de redução até 2030.

Queda nas mortes por meningite desacelera e ameaça meta da OMS

O combate global à meningite tem apresentado avanços, mas o ritmo de queda nas mortes causadas pela doença é mais lento do que o idealizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Um estudo abrangente, publicado na revista The Lancet Neurology, analisou dados de 2023 e revelou que as iniciativas atuais são insuficientes para cumprir a meta de reduzir em 70% os óbitos até 2030, em comparação com os números de 2015.

Em 2015, a meningite foi responsável por cerca de 300 mil mortes em todo o mundo. O levantamento mais recente indica que, em 2023, esse número caiu para 259 mil óbitos. Embora represente uma diminuição, a taxa de declínio é considerada insatisfatória pelas autoridades de saúde. Especialistas apontam que a desaceleração observada reflete uma estabilização no controle da doença, após os ganhos iniciais proporcionados pelas campanhas de vacinação.

## Fatores que freiam o progresso

Diversos fatores contribuem para a dificuldade em acelerar a redução de mortes. Entre eles, destaca-se o surgimento de sorotipos da meningite não cobertos pelas vacinas existentes. Além disso, observa-se um aumento relativo de casos causados por vírus, e a persistência de desigualdades no acesso à vacinação em escala global impede um avanço mais rápido na erradicação da doença.

A meningite, uma inflamação das meninges (membranas que revestem o cérebro) causada por infecções bacterianas ou virais, é uma das principais causas de deficiências neurológicas. O estudo GBD (Global Burden of Disease Study) identificou mais de 2,5 milhões de novos casos em 2023, com crianças menores de 5 anos sendo as mais afetadas. Essa faixa etária representou mais de um terço das fatalidades, totalizando 86,6 mil óbitos.

## Vacinação e tratamento precoce são cruciais

O neurologista João Victor Luisi de Moura, do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatiza a importância da vacinação nos prazos recomendados pelas autoridades de saúde, com doses administradas aos 3, 5 e 12 meses de vida. Ele ressalta que a letalidade da meningite depende da resposta imunológica do paciente, e em crianças, uma resposta imune exagerada pode comprometer a saúde. O diagnóstico e o início rápido do tratamento são fundamentais para controlar a mortalidade.

Os principais agentes causadores da meningite em 2023 foram as bactérias Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Neisseria meningitidis (meningococo), além de enterovírus não poliomielíticos. Fatores de risco associados à mortalidade incluem baixo peso ao nascer, prematuridade e poluição do ar domiciliar. Condições socioeconômicas também desempenham um papel crucial, pois populações de baixa renda frequentemente apresentam menores coberturas vacinais e acesso limitado a serviços de saúde, o que agrava a incidência e a mortalidade pela doença.