Reconstrução Mamária Pós-Câncer: Acesso Limitado no SUS
Apenas 17% das mulheres realizaram reconstrução mamária no SUS após mastectomia por câncer em uma década, apesar da garantia legal. Dados mostram acesso limitado e desigual.

Um levantamento aponta que, entre 2014 e 2024, somente 17% das mulheres submetidas à mastectomia devido ao câncer de mama conseguiram realizar a reconstrução mamária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O dado, compilado a partir de informações do Datasus, revela uma lacuna significativa no acesso a um direito garantido por lei no Brasil, que assegura a cirurgia plástica reconstrutiva após a remoção das mamas.
Embora a legislação preveja que a reconstrução possa ocorrer no mesmo ato da mastectomia e tenha sido expandida para casos de cirurgias conservadoras, a realidade mostra que a oferta de expansores e próteses ainda é insuficiente em muitas unidades públicas. A situação levou pacientes como a costureira Elisângela Santos, 45, a buscar a via judicial para garantir o procedimento, que na rede privada custaria cerca de R$ 40 mil.
Os dados indicam que em 2023 o percentual chegou a 20%, e em 2024 atingiu 39,3%, um recorde histórico. Contudo, o acesso ainda é desigual entre as regiões, com Sul e Sudeste apresentando os melhores índices, mas ainda distantes das metas internacionais de 40% a 60% de reconstruções. O Ministério da Saúde contesta o levantamento, afirmando que o número de reconstruções já supera o de mastectomias, mas a metodologia da pasta inclui outros tipos de cirurgias mamárias.