SUS: Falta de acesso a tratamento oncológico específico impacta sobrevida

Estudos mostram que pacientes com câncer de pulmão ALK-positivo no SUS vivem menos por falta de acesso a tratamento moderno e eficaz, evidenciando desigualdade na saúde.

SUS: Falta de acesso a tratamento oncológico específico impacta sobrevida

Pacientes brasileiros com um tipo específico de câncer de pulmão, caracterizado pela alteração no gene ALK, enfrentam uma dura realidade: a diferença no prognóstico de vida quando comparados àqueles com acesso a planos de saúde privados. Estudos recentes, conduzidos por médicos do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) e publicados na revista científica JCO Global Oncology, evidenciam que a falta de acesso ao tratamento mais indicado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) leva a uma sobrevida menor.

O câncer de pulmão com alteração no gene ALK representa uma parcela pequena dos casos, cerca de 5% no Brasil, sendo mais comum em indivíduos jovens e não fumantes. Para essa condição, existe um medicamento em forma de comprimido que atua diretamente nas células doentes, uma alternativa mais eficaz e com menos efeitos colaterais sistêmicos do que a quimioterapia tradicional. Este tratamento, geralmente administrado em domicílio, permite que os pacientes vivam mais e prolonguem o período sem progressão da doença.

## Desigualdade no Acesso à Saúde

A pesquisa do GBOT, que ouviu mais de 150 oncologistas de todo o país e analisou prontuários de mais de 100 pacientes em 12 hospitais, demonstrou a disparidade no cuidado. Enquanto pacientes com planos de saúde têm maior facilidade em obter o medicamento, aqueles dependentes do SUS frequentemente não recebem a indicação ou enfrentam longas barreiras burocráticas para o acesso. Essa desigualdade se traduz diretamente em resultados clínicos inferiores, com menor tempo de sobrevida e maior risco de recidiva da doença.

Os achados reforçam um problema crônico na saúde pública brasileira: a dificuldade de acesso a inovações terapêuticas, especialmente para doenças raras ou com tratamentos de alto custo. A oncologia torácica é uma área que tem visto avanços significativos nos últimos anos, com o desenvolvimento de terapias-alvo que mudam o paradigma de tratamento. No entanto, a incorporação dessas novidades no SUS nem sempre acompanha a velocidade necessária, deixando muitos pacientes em desvantagem.

## Implicações e o Caminho a Seguir

O estudo levanta um alerta importante sobre a necessidade de agilizar a incorporação de novas tecnologias e medicamentos no SUS, garantindo que todos os pacientes, independentemente da condição socioeconômica, tenham acesso às melhores opções de tratamento disponíveis. A análise dos dados de prontuários e o levantamento com especialistas apontam para um cenário onde a ausência de acesso ao tratamento mais indicado compromete a qualidade e a expectativa de vida de pacientes com câncer de pulmão ALK-positivo.

A pesquisa, realizada com rigor científico, serve como um importante subsídio para discussões sobre políticas públicas em saúde e a necessidade de equidade no acesso à medicina de precisão no Brasil. A continuidade de estudos como estes é fundamental para monitorar o impacto das políticas de saúde e pressionar por melhorias que beneficiem um número maior de pacientes.