Vacina em gestantes blinda bebês contra doenças respiratórias graves

Vacinação de gestantes protege bebês contra infecções respiratórias graves como bronquiolite e Covid-19, reduzindo internações e SRAG. Vacinas como VSR e dTpa são cruciais.

Vacina em gestantes blinda bebês contra doenças respiratórias graves

A vacinação de gestantes tem se mostrado uma estratégia crucial na prevenção de doenças respiratórias graves em bebês. Dados recentes indicam uma redução significativa nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre crianças com até seis meses de idade, graças à imunização materna.

## Proteção passiva: um escudo para os bebês

O mecanismo por trás dessa proteção é a chamada imunização passiva. Durante a gestação, os anticorpos desenvolvidos pela mãe contra vírus como o Sincicial Respiratório (VSR) e o causador da Covid-19 são transferidos pela placenta para o feto. Essa transferência confere ao recém-nascido uma defesa inicial que pode durar até os primeiros seis meses de vida, período considerado de maior vulnerabilidade.

A vacina contra o VSR, por exemplo, foi aprovada pela Anvisa em 2023 e incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante em novembro de 2025, via SUS. A imunização é recomendada a partir das 28 semanas de gestação. Essa vacina é especialmente importante para prevenir quadros graves de bronquiolite, uma das principais causas de hospitalização infantil por infecções respiratórias.

## Impacto nos números de SRAG

Em 2025, crianças com até dois anos de idade representaram 82% dos mais de 35 mil casos de SRAG registrados no país. Desse total, quase 24 mil ocorreram em bebês com menos de seis meses. A infectopediatra Flávia Jacqueline Almeida, do Hospital Infantil Sabará, explica que a fragilidade do sistema respiratório dos bebês torna o VSR particularmente perigoso, podendo levar a quadros de insuficiência respiratória e necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

## Vacinas essenciais no calendário gestacional

Além da vacina contra o VSR, outras imunizações são fundamentais. A dTpa (tríplice bacteriana acelular), que protege contra difteria, tétano e coqueluche (tosse comprida), é administrada a cada gestação a partir da 20ª semana. Em 2025, a cobertura vacinal para a dTpa atingiu 85,4%, demonstrando sua consolidação no cuidado pré-natal.

A vacina contra a Covid-19 também passou a integrar o calendário gestacional em janeiro de 2025. Antes disso, a adesão era baixa, mas no ano passado a cobertura subiu para quase 55%. Estudos do Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) apontam que a vacinação contra a Covid-19 reduziu em 46% o risco de gestantes necessitarem de UTI e em 80% o risco de mortalidade materna.

## Benefícios que vão além do bebê

As vacinas administradas durante a gravidez não apenas protegem o recém-nascido, mas também a saúde da própria gestante. Mulheres grávidas apresentam uma resposta imunológica naturalmente diminuída, tornando-as mais suscetíveis ao agravamento de infecções respiratórias. A imunização contribui para evitar complicações, internações e, em casos extremos, óbitos maternos. A experiência de mães como Mariá Lanzotti, que precisou internar sua filha mais velha por uma doença respiratória grave, reforça a importância de garantir essa proteção para os filhos.