Acusado de feminicídio usou Lei Maria da Penha em extorsão

Preso por feminicídio, Caio Nascimento é investigado por extorsão. Acusado de ameaçar homem com Lei Maria da Penha e de exigir dinheiro e fazenda.

Acusado de feminicídio usou Lei Maria da Penha em extorsão

Antes de ser preso em flagrante pelo feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, em fevereiro de 2025, o músico Caio César Nascimento Pereira já era alvo de uma investigação por extorsão. Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), tramitando na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Caio teria exigido dinheiro, pensão e até parte de uma fazenda de um homem, utilizando ameaças de morte e de falsas acusações com base na Lei Maria da Penha.

O caso de extorsão teria ocorrido entre março e maio de 2024, quase um ano antes do assassinato de Vanessa, que foi denunciada por Caio e obteve medida protetiva horas antes de ser morta. A investigação aponta que Caio, após o rompimento de um casamento, teria passado a pressionar o ex-marido de sua amante para obter vantagem econômica. As ameaças, segundo a acusação, eram feitas por meio de mensagens e ligações de diferentes números de telefone.

Em uma das mensagens anexadas ao processo, Caio teria escrito: “Esperando você vender essa fazenda. Ou você dá a metade do dinheiro ou eu vou te mat**, seu filho da p***. Faz horas que bebo cerveja que você tá pagando. Kkk. Ou você dá uma pensão para ela. Ou vou fazer ela denunciar você na Maria da Penha, ela vai acabar com você se eu não acabar antes”. O MPMS considera que a mensagem evidencia não apenas xingamentos, mas também linguagem intimidatória com objetivo de obter vantagem indevida, ameaçando a vida da vítima e a sua reputação com falsas imputações judiciais.

A Polícia Civil também corroborou as acusações, indicando que Caio exigiu dinheiro para não matar o homem e ameaçou convencê-lo a registrar um boletim de ocorrência por violência doméstica. O inquérito policial também apontou cobrança de pensão e pressão relacionada à divisão de uma fazenda.

Caio negou as acusações em seu interrogatório. Admitiu ter tido um relacionamento extraconjugal com a mulher citada no contexto do caso, mas negou ter enviado mensagens ameaçadoras ou realizado ligações com intenção de extorquir. Apesar de sua defesa, a Polícia Civil concluiu o inquérito com o indiciamento do músico por extorsão, crime previsto no artigo 158 do Código Penal.

A denúncia foi oferecida em janeiro de 2026 e recebida pela Justiça em março do mesmo ano. A audiência de instrução e julgamento está marcada para 16 de julho de 2026. Até o momento, Caio responde a esta acusação como réu, sem condenação neste processo específico, enquanto aguarda o julgamento do caso que o levou à prisão pelo feminicídio.