Carta de facção revela disputa por R$ 15 milhões em SP

Vereador de SP é preso em operação que descobriu disputa por R$ 15 milhões desviados de empresa de ônibus ligada ao PCC.

Carta de facção revela disputa por R$ 15 milhões em SP

Uma operação da Polícia Civil em São Paulo, realizada na manhã de quinta-feira (25), resultou na prisão do vereador Senival Moura (PT) e de outras duas pessoas. A ação desvendou uma suposta disputa por R$ 15 milhões desviados dos cofres de uma empresa de ônibus ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Senival Moura é apontado como peça central em um esquema de lavagem de dinheiro da facção, operando através da Transunião Transportes, responsável por 50 linhas na Zona Leste da capital.

Um documento apreendido na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", detalha um rombo de R$ 15 milhões na "garagem" da Transunião, com apenas R$ 2 milhões repassados aos acionistas. A carta, escrita por um membro do PCC, indicava que o dinheiro não foi devidamente distribuído. A investigação sugere que essa disputa financeira pode ter sido a motivação para o homicídio de Adauto Soares Jorge, presidente da Transunião, em março de 2020, crime para o qual "Cachorrão" é apontado como executor.

As apurações indicam que a Transunião era controlada por indivíduos com ligações com o PCC, que influenciavam a administração da frota e o fluxo financeiro. Mensagens e análises bancárias mostram a comunicação entre "Cachorrão" e Leonel Moreira Martins, apontado como "operador" do esquema, com referências diretas a Senival Moura, seja como "vereador" ou "veio", em transações financeiras suspeitas. A investigação também identificou que Moura, juntamente com Leonel, exercia ingerência sobre as finanças da empresa mesmo após a morte de Adauto.