Caso Bernardo: Pai e Madrasta Planejaram Assassinato de Menino
Pai e madrasta são condenados por arquitetarem e executarem o assassinato do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, em Três Passos (RS). O crime chocou o país pela crueldade e planejamento.

O trágico desfecho do desaparecimento do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, em Três Passos, no Rio Grande do Sul, em abril de 2014, revelou um plano macabro arquitetado pelo próprio pai, o médico Leandro Boldrini, e sua esposa, Graciele Ugulini. O que inicialmente parecia ser um caso de criança desaparecida rapidamente se transformou em uma investigação de homicídio, com o envolvimento direto dos pais.
## O Início da Investigação
O caso veio à tona quando Leandro Boldrini procurou a polícia em 6 de abril de 2014, relatando o desaparecimento do filho. Segundo o cirurgião, Bernardo teria saído de casa em 4 de abril para dormir na casa de um amigo, mas nunca chegou ao local. Na época, o menino residia com o pai, a madrasta Graciele Ugulini e uma irmã de um ano.
## Descoberta Macabra e Prisões
Dez dias após o registro do desaparecimento, a esperança de encontrar Bernardo vivo se desfez. A Polícia Civil localizou um corpo enterrado em uma área de mata em Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos. A perícia confirmou que os restos mortais pertenciam a Bernardo. No mesmo dia da descoberta, Leandro Boldrini, Graciele Ugulini e uma amiga do casal, Edelvânia Wirganovicz, foram detidos.
## Evidências e Motivação
Contradições nos depoimentos e diligências policiais levaram os investigadores ao local do enterro, indicado por Edelvânia. Câmeras de segurança registraram o carro de Edelvânia em um posto de combustível, saindo sem o menino, o que reforçou a suspeita de sua participação direta. O laudo da necropsia apontou que Bernardo não foi enterrado vivo, mas sim dopado com midazolam antes de receber uma injeção letal. A polícia destacou que a receita do sedativo portava carimbo e assinatura do pai, Leandro Boldrini.
Meses depois, Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, também foi preso, suspeito de ter cavado a cova dias antes do crime. A polícia indicou que o grupo agiu de forma planejada, com Edelvânia e seu irmão recebendo pagamento pelo crime, com evidências de transações financeiras.
## Conflitos Familiares e Histórico
As investigações também trouxeram à tona um histórico de conflitos familiares. Testemunhas relataram que Bernardo sofria agressões verbais e era isolado, chegando a procurar a Justiça no início de 2014 para relatar falta de atenção e problemas no convívio doméstico.
## Condenações
Ao final do processo judicial, Leandro Boldrini e Graciele Ugulini foram condenados a penas superiores a 30 anos de prisão. Edelvânia Wirganovicz recebeu uma pena de quase 23 anos, enquanto Evandro Wirganovicz foi condenado a nove anos e meio de reclusão. O caso chocou o Brasil pela brutalidade e pelo envolvimento de figuras próximas à vítima.