Cocaína supera ouro e carne como commodity na Amazônia Legal
Cocaína se torna a 6ª commodity mais valiosa da Amazônia Legal, superando ouro e carne. Tráfico financia outros crimes e facções expandem controle territorial.

A cocaína consolidou-se como a sexta commodity mais valiosa na Amazônia Legal, superando até mesmo o valor de exportações tradicionais como ouro, animais vivos e oleaginosas. Um levantamento inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, obtido com exclusividade, revela que as apreensões realizadas nos nove estados da região em 2024 alcançaram um valor estimado de US$ 703,7 milhões.
No ranking econômico da Amazônia Legal, a droga ilícita figura atrás apenas de setores consolidados e lícitos: o complexo da soja lidera com US$ 20,3 bilhões, seguido por cereais e farinhas (US$ 6,5 bilhões) e carnes (US$ 5,5 bilhões). O valor apurado, no entanto, é considerado conservador.
Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que o montante refere-se apenas à droga interceptada pelas autoridades. Estimativas sugerem que apenas cerca de 10% da cocaína em circulação é apreendida. Isso indica que o mercado ilegal de drogas na região pode movimentar aproximadamente US$ 7 bilhões anualmente, posicionando a cocaína como a segunda principal commodity da Amazônia Legal, atrás apenas da soja.
## Novo Motor Econômico Ilícito
O estudo vai além da simples quantificação e aponta uma transformação preocupante: o tráfico de drogas deixou de ser unicamente um problema de segurança pública para se tornar um motor econômico ilícito. Essa atividade financia outros crimes ambientais e fundiários de grande impacto, como o garimpo ilegal, a grilagem de terras e a extração de madeira sem autorização.
## Governança Criminal em Expansão
A pesquisa também revela a presença ativa de pelo menos 17 facções criminosas operando na Amazônia. Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) são citados como os principais grupos que disputam o controle de territórios estratégicos e das rotas do narcotráfico. Essa disputa acirrada contribui para o avanço do que os pesquisadores chamam de “governança criminal”.
Esse fenômeno descreve a crescente capacidade de organizações criminosas em controlar não apenas economias paralelas, mas também territórios, modos de vida e até mesmo a administração de recursos em diversas áreas da vasta floresta amazônica. O levantamento será apresentado em breve à Concertação pela Amazônia, alertando para a urgência da situação.