Crianças em Risco em Belém: Justiça Ignorada pela Saúde

Duas crianças em Belém estão em risco de morte por falta de leitos de UTI pediátrica. Defensoria denuncia descumprimento de ordens judiciais há mais de 30 dias pela Sespa e SMS.

Crianças em Risco em Belém: Justiça Ignorada pela Saúde

A Defensoria Pública do Estado do Pará alertou para a grave situação de duas crianças internadas em unidades de saúde de Belém que correm risco de morte. A omissão reside na falta de transferência para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, apesar de decisões judiciais emitidas há mais de 30 dias pela 1ª Vara da Infância e Juventude da capital paraense. O Núcleo de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Naeca), ligado à Defensoria, acusa a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (SMS) de ignorarem as determinações judiciais sem apresentar qualquer justificativa.

Os pedidos judiciais foram motivados pela necessidade urgente de atendimento especializado para as crianças. A determinação judicial visava assegurar que os menores recebessem cuidados em hospitais com estrutura adequada para diagnósticos complexos, acompanhamento neurológico e terapia intensiva pediátrica. O plano incluía a possibilidade de custeio em unidades de saúde privadas caso não houvesse vagas disponíveis na rede pública, uma medida extrema para garantir a sobrevivência dos pacientes.

O descaso com as ordens judiciais levanta sérias questões sobre a efetividade do sistema de saúde pública e a garantia dos direitos das crianças e adolescentes. A Defensoria Pública reforça a urgência da situação, uma vez que a demora na transferência para UTIs pediátricas pode ter consequências irreversíveis, colocando em perigo iminente a vida dos jovens pacientes.

A omissão das secretarias de saúde representa um grave descumprimento de dever legal e ético, além de expor a vulnerabilidade de crianças em estado crítico. A expectativa agora recai sobre a atuação do Poder Judiciário para forçar o cumprimento das decisões e garantir o acesso aos cuidados médicos necessários para as crianças afetadas.