Doleiro Foragido Usou 70 Empresas para Lavar Dinheiro do Tráfico
Doleiro foragido, Victor Shimada, usou mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico internacional. Alvo de sanções dos EUA e suspeito de elo com PCC, movimentou R$ 10,4 bilhões.

Um empresário brasileiro, foragido da Justiça e identificado como um "doleiro moderno", teria utilizado mais de 70 empresas para movimentar quantias bilionárias provenientes do tráfico internacional de drogas. A informação foi divulgada pela Polícia Federal (PF) em São Paulo, no âmbito da Operação Exchange, que visa desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro.
Victor Henrique de Oliveira Shimada, o principal alvo da operação, está foragido. Ele é um dos brasileiros que recentemente foram alvo de sanções econômicas impostas pelo governo dos Estados Unidos, que o acusam de ser um "elo-chave" entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e traficantes internacionais. Segundo as autoridades americanas, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 156 milhões na cotação da época) em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para repatriar valores para o Brasil em nome da facção.
A Operação Exchange expediu 11 mandados de prisão temporária, dos quais sete foram cumpridos. Entre os detidos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada pelos EUA por suposta ligação com o PCC. Todos os presos serão levados para a sede da PF em São Paulo. Paralelamente, 13 mandados de busca e apreensão foram executados em endereços na capital paulista e em cidades do litoral e da região metropolitana, como Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
## Esquema Financeiro Complexo
O esquema investigado envolvia um sistema estruturado para movimentação de recursos, incluindo transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, com um montante total que pode chegar a R$ 10,4 bilhões. As sanções dos EUA implicam o bloqueio de bens e empresas em que os alvos possuam participação direta ou indireta de 50% ou mais.
Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda e também possui participação na Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, com sede em Portugal, empresa que também foi sancionada pelos EUA. A investigação brasileira aponta que o empresário estaria inserido em uma cadeia financeira que conecta suas empresas a outras citadas em investigações de lavagem de dinheiro, incluindo o caso VaideBet, que apura desvios de recursos de patrocínio de um clube de futebol. Embora as sanções americanas mencionem o uso da Victory Trading para lavar dinheiro desviado de um clube brasileiro, o nome da agremiação não foi divulgado no comunicado oficial. A investigação, contudo, não afirma que Shimada seja membro do PCC, mas sim que suas atividades financeiras se cruzam com indivíduos e companhias associadas à facção.