Estudo Revela: Negros têm 4x mais Risco de Morrer em Ações Policiais
Estudo 'Pele Alvo' revela que negros têm 4x mais chances de morrer em ações policiais no Brasil. Em 2025, 4.330 mortes foram registradas, com 86,3% das vítimas sendo negras.

Pessoas negras enfrentam um risco quatro vezes maior de serem mortas em intervenções policiais em comparação com pessoas brancas. A constatação alarmante vem do estudo "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", divulgado nesta quarta-feira (1º). A pesquisa, que abrange nove estados brasileiros – Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo –, baseia-se em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às secretarias de Segurança Pública.
Em 2025, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Deste total, 86,3% das vítimas cujos dados de raça ou cor foram informados eram negras. A juventude negra das periferias continua sendo a principal vítima da letalidade policial, um padrão que se repete ano após ano, segundo Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança.
## Desigualdade se Agrava em Certos Estados
A disparidade racial na letalidade policial é ainda mais acentuada em algumas regiões. Em Pernambuco, o risco para pessoas negras chega a ser 11 vezes superior ao da população branca. No Rio de Janeiro, essa diferença é de seis vezes. O estudo também destacou que quatro estados registraram em 2025 o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, em 2019.
O Ceará contabilizou 200 mortes, o Maranhão 142 e o Pará 632. São Paulo registrou 834 vítimas, o maior número absoluto da série histórica, mesmo com a queda em indicadores criminais como furtos e roubos. O estado acumula 4.774 vítimas em sete anos. O Maranhão apresentou o crescimento mais alarmante, com um aumento de 86,8% nas mortes em apenas um ano, saltando de 76 para 142 vítimas. O Pará atingiu um recorde de 632 mortes, um aumento de 35 em relação a 2024, e acumula 4.028 mortos em sete anos. O Ceará registrou 200 mortes em 2025, o maior patamar desde 2019, com letalidade crescendo 47,1% no período.
## Juventude Negra é a Principal Vítima
Jovens com até 29 anos representaram 64,8% de todas as mortes em ações policiais em 2025, totalizando 2.804 vítimas. Desse grupo, 2.492 tinham entre 18 e 29 anos. O levantamento também contabilizou 312 crianças e adolescentes de até 17 anos mortos em ações policiais, incluindo duas crianças de até 11 anos e 310 vítimas entre 12 e 17 anos.
A metodologia do relatório "Pele Alvo" envolve a coleta de dados oficiais das secretarias de segurança pública dos nove estados monitorados, utilizando a Lei de Acesso à Informação. As informações são validadas e padronizadas pela Rede de Observatórios, garantindo a comparabilidade dos dados desde 2019. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas eficazes para combater o racismo estrutural e a violência policial no Brasil.