Letalidade policial dispara no Brasil; 4 estados registram recorde

Letalidade policial no Brasil sobe 6,4% em 2025, com 4.330 mortes. Quatro estados batem recorde. Negros são as principais vítimas, com risco 4x maior de serem mortos.

Letalidade policial dispara no Brasil; 4 estados registram recorde

A violência decorrente de intervenções policiais no Brasil atingiu um novo patamar em 2025, resultando em 4.330 mortes nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios de Segurança. Este número representa um crescimento de 6,4% em comparação com o ano anterior, quando foram registradas 4.068 fatalidades, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (1º). A pesquisa "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã" aponta que quatro estados – Maranhão, Ceará, Pará e São Paulo – alcançaram seus recordes históricos de mortes causadas por policiais desde o início do monitoramento em 2019.

São Paulo lidera o ranking com 834 mortes em 2025, um aumento de 22 óbitos em relação a 2024, apesar da queda em índices criminais como furtos e roubos. O estado acumula 4.774 vítimas em sete anos. O Maranhão apresentou o crescimento mais expressivo, com um aumento de 86,8% nas mortes, saltando de 76 para 142 vítimas em um ano. O relatório atribui esse fenômeno à expansão de facções criminosas para o interior e a uma resposta estatal focada no confronto.

No Pará, o número de mortes chegou a 632, um acréscimo de 35 em relação ao ano anterior, totalizando 4.028 vítimas em sete anos. Somente em Belém, foram registradas 99 mortes. O Ceará atingiu seu pico com 200 mortes em 2025, com metade das vítimas concentradas em apenas 12 municípios. A letalidade no estado cresceu 47,1% em sete anos, somando 1.094 mortos.

Outros estados monitorados também registraram alta. No Rio de Janeiro, as mortes aumentaram 13,8%, totalizando 800 óbitos. Pernambuco teve um crescimento de 30,9%, com 89 mortes. Em contrapartida, o Amazonas manteve o número de 43 mortes, e o Piauí registrou uma queda de 16,7%, com 20 mortes. A Bahia, apesar de ter apresentado uma redução de 1.702 para 1.570 mortes, ainda lidera o índice entre os estados monitorados.

O perfil das vítimas reforça o viés racial da violência policial. Das mortes em que a raça foi identificada, 86,3% eram negras. O Amazonas teve a maior proporção (96%), seguido por Pernambuco (94,4%), Bahia (93,9%) e Pará (93,3%). Em média, pessoas negras têm quatro vezes mais chances de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas, risco que no Rio de Janeiro chega a ser seis vezes maior e em Pernambuco, 11 vezes.

A juventude é outra característica marcante das vítimas. Quase dois terços (64,8%) tinham até 29 anos, totalizando 2.804 vidas jovens interrompidas em 2025. O estudo também contabilizou 312 crianças e adolescentes (de 0 a 17 anos) mortos em ações policiais, incluindo duas crianças de 0 a 11 anos no Rio de Janeiro.

A pesquisa "Pele Alvo" baseia-se em dados oficiais de secretarias de segurança pública de nove estados, coletados via Lei de Acesso à Informação e validados pela Rede de Observatórios, garantindo a comparabilidade dos dados desde 2019.