Megaoperação em Lucas do Rio Verde desmantela organização criminosa
Megaoperação em Lucas do Rio Verde desarticula organização criminosa de tráfico e lavagem de dinheiro. Empresa fantasma e 4 mulheres no esquema foram revelados.

Uma megaoperação deflagrada em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, nesta manhã, desvendou os meandros de uma complexa organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região. A Operação Ragnarok, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF), resultou no cumprimento de 55 mandados de prisão preventiva, 34 de busca e apreensão e no bloqueio de contas bancárias que somam mais de R$ 10 milhões.
A delegada Paula Moreira, da DERF, explicou que a ação é fruto de aproximadamente 11 meses de investigação minuciosa, que envolveu diversas unidades da Polícia Civil e o núcleo de inteligência da regional de Nova Mutum. "É uma investigação complexa que envolve toda a equipe da DERF, envolve o núcleo de inteligência da regional de Nova Mutum, envolve o diretor de inteligência. Foram diversos trabalhos para a elaboração dos relatórios que subsidiaram a representação dessa autoridade policial pela prisão preventiva de 55 pessoas. Todas essas pessoas são ligadas e foram identificadas como integrantes da organização criminosa", detalhou.
## Estrutura de Lavagem de Dinheiro Revelada
As investigações apontaram que o grupo criminoso possuía uma estrutura sofisticada para ocultar e movimentar os recursos obtidos ilicitamente. Um dos pontos centrais revelados foi a criação de uma empresa de fachada, que servia unicamente para dar uma aparência de legalidade ao dinheiro oriundo do tráfico. "Foram identificadas 15 contas que eram utilizadas pelos criminosos para essa lavagem de dinheiro. Dentre essas contas tinha uma pessoa jurídica, que era uma pessoa jurídica fantasma, ela não funcionava. Ela foi criada unicamente para lavar, para movimentar esse dinheiro oriundo do tráfico de drogas e da organização criminosa", afirmou a delegada.
## Mulheres Chave na Movimentação Financeira
Um aspecto particularmente destacado pela investigação foi a identificação de quatro mulheres que desempenhavam um papel crucial na arrecadação e pulverização dos valores financeiros da organização. Essas mulheres, aparentemente sem ligação direta com o crime, recebiam os recursos provenientes do tráfico e os distribuíam em diversas outras contas, uma tática comum em operações de lavagem de dinheiro. Uma delas, inclusive, estaria localizada no Rio de Janeiro, evidenciando o alcance geográfico da atuação criminosa.
## Quebra de Sigilo Fiscal Confirma Ilicitude
Adicionalmente, a operação solicitou e obteve a quebra de sigilo fiscal dos investigados. Os resultados demonstraram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro. "Foi pedido quebra fiscal. Essas pessoas não tinham nenhuma justificativa para movimentar valores de R$ 2 milhões no período investigado, o que demonstra uma clara lavagem de dinheiro", pontuou Paula Moreira.
### Apreensões e Declaração de Sucesso
Além do cumprimento dos mandados, a operação resultou na apreensão de um veículo de luxo e mais de 10 quilos de entorpecentes. A delegada classificou a operação como um sucesso, ressaltando a força da atuação integrada das forças de segurança. "É uma operação, ao nosso sentir, exitosa e que mostra a força da Polícia Civil. Nós queremos deixar claro que a Polícia Civil, as forças de segurança do Estado, é quem tem força, é quem demonstra força, como aconteceu hoje nessa operação", declarou.
A Operação Ragnarok demonstra a persistência e a eficiência das investigações policiais no combate ao crime organizado, desarticulando estruturas financeiras ilícitas e retirando de circulação substanciais quantias de dinheiro que alimentariam atividades criminosas.