Operação Policial Desarticula Finanças de Facção no Rio de Janeiro
Polícia desarticula braço financeiro da facção ADA no Rio de Janeiro com operação na Vila Vintém. Esquema de lavagem de dinheiro movimentava R$ 500 mil semanais via Pix e cartões.

Uma operação policial civil deflagrada nesta terça-feira na Vila Vintém, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio de Janeiro, tem como alvo principal o braço financeiro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). A ação, conduzida pela 34ª DP (Bangu), busca desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentava cerca de R$ 500 mil semanalmente.
As investigações revelam que o grupo utilizava métodos modernos, como Pix e pagamentos via cartões de débito e crédito, para comercializar entorpecentes. O dinheiro arrecadado era então lavado através de um intrincado sistema. Valores eram transferidos para contas de "laranjas", que posteriormente sacavam os recursos em espécie, utilizando cartões vinculados a essas contas. Esses valores, desvinculados de sua origem ilícita, voltavam a abastecer a estrutura financeira do tráfico.
## Estrutura do Esquema e Envolvimento
De acordo com a polícia, 14 pessoas foram identificadas como participantes diretos do esquema criminoso, cada uma movimentando aproximadamente R$ 5 mil por dia. A Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias utilizadas para interromper o fluxo financeiro da organização. Seis pessoas foram presas durante a operação, com a apreensão de cinco motocicletas roubadas, drogas e celulares.
A investigação teve início a partir da prisão em flagrante de Lucas Gabriel Teles dos Santos pela Polícia Militar, que portava dez cartões bancários e senhas. Inicialmente considerado um golpe, o caso evoluiu para a identificação de Santos como um operador financeiro do tráfico. Ele era responsável por realizar saques em diversas agências bancárias, convertendo os pagamentos digitais da venda de drogas em dinheiro para a facção.
## Quatro Etapas da Lavagem de Dinheiro
A delegada Raíssa Celles, diretora do Departamento-Geral de Polícia da Capital, detalhou que o esquema funcionava de forma estruturada, dividida em quatro etapas: arrecadação nos pontos de venda de drogas, transferências via Pix para contas de terceiros, saques em caixas eletrônicos e, por fim, a prestação de contas e divisão dos lucros. As pessoas envolvidas, que não possuíam antecedentes criminais nem envolvimento direto com o tráfico, eram remuneradas para executar essas tarefas, sendo uma delas citada por receber R$ 1.500 mensais.
Esses indivíduos, ao participarem da movimentação financeira, acabavam integrando a estrutura da organização, viabilizando a compra de armas, drogas e o recrutamento de novos membros. Segundo a polícia, não há indícios de coação, e os participantes agiam voluntariamente em troca de remuneração.
## Gerente do Tráfico e Objetivos da Operação
As investigações apontam que os envolvidos prestavam contas a Erick de Aquino Gomes, identificado como o gerente do tráfico responsável pela célula financeira da ADA. A operação visa enfraquecer a estrutura financeira da facção, interromper a circulação de recursos ilícitos e coletar mais elementos para o avanço das investigações. Durante a chegada das equipes na Vila Vintém, traficantes efetuaram disparos, mas não há registro de feridos.