PF Acelera Operação Contra PCC Após Sanções dos EUA
PF antecipa Operação Exchange contra núcleo financeiro do PCC após sanções dos EUA a brasileiros. Esquema de lavagem de R$ 10 bilhões é desarticulado com bloqueio de 73 empresas.

A Polícia Federal antecipou e deflagrou a Operação Exchange nesta quinta-feira (03/07/2026) para desarticular um núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, que cumpriu 11 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão, foi acelerada após os Estados Unidos anunciarem sanções contra empresários e companhias brasileiras com supostos laços com a facção. Os alvos principais da operação são Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada, os primeiros brasileiros sancionados pelo governo americano por suposta ligação com o PCC, organização classificada como terrorista internacional.
De acordo com a PF, o esquema investigado visava a lavagem de cerca de R$ 10 bilhões, utilizando um complexo de 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar recursos provenientes principalmente do tráfico de drogas, com destaque para o haxixe. Shimada é apontado como o líder e coordenador logístico dessa operação financeira ilícita.
## Aceleração da Operação
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, explicou que a investigação e a representação policial eram anteriores ao decreto americano. No entanto, a divulgação das sanções americanas obrigou a corporação a adiantar a deflagração da operação, que estava em andamento há semanas. "Em razão dessa publicação, tivemos de adiantar e deflagrar a operação. Tínhamos algumas questões operacionais de identificação do alvo. Com a divulgação na imprensa, a gente adiantou e deflagrou", afirmou Cali.
## Críticas às Sanções Americanas
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, criticou a decisão dos EUA, classificando-a como um "erro grosseiro" do ponto de vista técnico. Ele ressaltou que os propósitos, objetivos e estratégias de combate a organizações criminosas são diferentes entre os dois países. Rodrigues também salientou que, embora a PF combata facções, nem todo investigado por lavagem de dinheiro está diretamente ligado ao PCC ou a outras facções.
## Entendendo o Caso
Na quarta-feira (02/07/2026), o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra Shimada, Stella, três empresas brasileiras e uma portuguesa por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, movimentando mais de US$ 30 milhões em tráfico internacional de drogas. A PF já vinha monitorando os suspeitos e havia solicitado prisões antes da sanção americana. A divulgação das sanções, segundo investigadores, prejudicou o trabalho de campo e precipitou a ação policial.
## Bloqueio de Bens
Por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7.ª Vara Federal Criminal em São Paulo, as 73 empresas utilizadas por Shimada foram bloqueadas. A medida também determinou o sequestro de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527.419,19, de forma solidária, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas na investigação. A PF constatou o uso de empresas como Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Imp para as operações.