PF caça foragido com sanção dos EUA por lavagem de dinheiro do PCC
PF deflagra Operação Exchange contra lavagem de dinheiro do PCC. Foragido brasileiro é alvo de sanções dos EUA por suposto elo com facção e movimentação de R$ 10 bilhões.

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3/7) a Operação Exchange, focada na investigação de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A ação mira um esquema estruturado que teria movimentado mais de R$ 10 bilhões, utilizando criptomoedas, operações bancárias e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.
Victor Henrique de Oliveira Shimada, um dos principais alvos, está foragido. Ele e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que foi presa, foram sancionados na última quarta-feira (1/7) pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As empresas de Shimada também foram incluídas nas sanções americanas.
## Conexões com o PCC e Lavagem de Dinheiro
Segundo o Departamento do Tesouro americano, Shimada atuava como um elo central entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais de drogas. A rede de lavagem de dinheiro, que teria operado principalmente na Flórida e em São Paulo, teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados nos EUA, com o uso de criptomoedas para remeter valores ao Brasil em nome da facção.
Uma das empresas de Shimada, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., teria sido utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária. Stella Stefanie é apontada como parente próxima e associada de Shimada, tendo atuado como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro vivo, prestando serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem.
## Histórico de Investigações no Brasil
Shimada possui um histórico de investigações no Brasil. No ano passado, ele foi condenado pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro e furto qualificado mediante fraude eletrônica. Foi investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito que apurou irregularidades no contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet. Na época, Shimada chegou a ser detido provisoriamente e o Ministério Público de São Paulo indicou que ele teria lavado R$ 35 milhões por meio de contas em criptomoedas.
As investigações brasileiras destacaram a ascensão social de Shimada, que passou de proprietário de veículos de baixo valor em 2017 para possuir um Audi Q8 e um Porsche Taycan em anos recentes. A fintech de Stella Stefanie, a GP8 Pay, que segundo a investigação brasileira era 98% de propriedade de Shimada, não aparece nas investigações brasileiras com relação ao PCC.
Até o momento, a defesa de Shimada informou que os advogados deixaram de representá-lo por "motivo de foro íntimo", e não foi possível contatar Stella Stefanie.