PF critica sanção dos EUA que atrapalhou investigação contra PCC
PF critica sanção dos EUA contra brasileiro ligado ao PCC, alegando que ação americana alertou foragido e prejudicou investigação de lavagem de R$ 10 bilhões.

A Polícia Federal (PF) expressou descontentamento com uma sanção imposta pelos Estados Unidos, que, segundo a corporação, prejudicou diretamente a Operação Exchange, deflagrada para investigar lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A ação americana, que ocorreu na quarta-feira (1º de julho), sancionou Victor Henrique de Oliveira Shimada, foragido da justiça brasileira, e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que foi presa. Ambas as pessoas, além de empresas ligadas a Shimada, foram associadas pelo governo dos EUA ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
## Alerta antecipado custou a prisão de foragido
A PF autorizou a operação no dia 2 de junho, mas a divulgação da sanção americana antes da conclusão das ações de busca e captura dificultou a localização de todos os alvos. O diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmou em Brasília que a decisão dos EUA funcionou como um alerta para os investigados, impedindo a prisão de Shimada. "Não houvesse essa designação, o desfecho seria outro… não localizamos (Shimada). Houve um prejuízo à investigação", declarou Rodrigues.
As investigações da PF apontam que os envolvidos utilizavam um sistema complexo para movimentar recursos ilícitos, incluindo transferências de criptomoedas, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Estima-se que as movimentações ultrapassem a marca de R$ 10 bilhões.
## Conexões com o Corinthians e ascensão financeira
Victor Shimada já havia sido condenado pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro e furto qualificado. Ele também foi investigado em um inquérito que apurou irregularidades em um contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet. Na época, Shimada chegou a ser detido provisoriamente e foi incluído em uma denúncia contra o ex-presidente do clube, Augusto Melo. O Ministério Público de São Paulo estima que ele tenha lavado R$ 35 milhões por meio de contas em criptomoedas.
O histórico de Shimada revela uma ascensão financeira notável. Enquanto em 2017 possuía veículos de baixo valor, investigações posteriores apontaram a aquisição de um Audi Q8 e um Porsche Taycan, avaliados em centenas de milhares de reais. Sua rotina de viagens frequentes, com compra de passagens para múltiplos destinos no mesmo dia, também chamou a atenção dos investigadores.
## Rede de lavagem nos EUA e Brasil
O Departamento do Tesouro americano detalhou que Shimada atuava como um elo central entre operadores do PCC na Flórida e traficantes de drogas internacionais. Segundo o órgão, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para enviar valores ao Brasil em nome da facção. A rede de lavagem de dinheiro, conforme a nota do Tesouro, operava principalmente na Flórida e em São Paulo.
A defesa de Shimada informou que tomou conhecimento da operação e aguarda acesso aos autos judiciais para se pronunciar. A defesa de Stella Stefanie não foi localizada.