PF: Investigado cita repasse de R$ 100 mil a diretor da Polícia Civil de SP
Áudio interceptado pela PF cita repasse de R$ 100 mil a diretor da Polícia Civil de SP, apelidado de 'Fábio Caipira'. Delegado nega e promete ação judicial contra quem o mencionou.

A Polícia Federal (PF) aponta que um investigado em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas citou um repasse de R$ 100 mil a um diretor da Polícia Civil de São Paulo. A informação consta em um áudio interceptado pela PF e reproduzido em um inquérito que levou à deflagração da Operação Exchange, nesta sexta-feira (3), focada em desarticular uma rede de lavagem de dinheiro.
O áudio, datado de 15 de maio de 2024, foi enviado pelo advogado Romany Cutolo Bonente, conhecido como "Roma" e apontado como intermediário de alto nível e gestor de conflitos, ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, suposto operador do esquema e foragido da operação. Na gravação, Bonente relata dificuldades em administrar cobranças financeiras e menciona diretamente a necessidade de enviar o valor ao delegado.
"Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou", diz Bonente na transcrição apresentada na decisão judicial que autorizou a operação. "Fábio Caipira do Deic" é o apelido de Fabio Pinheiro Lopes, atual diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e ex-diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
## Negativas e Ações Legais
Fabio Pinheiro Lopes não é alvo da Operação Exchange nem foi formalmente acusado no caso. Em declaração ao portal g1, o delegado negou qualquer conhecimento dos investigados e afirmou que nunca ouviu falar de Romany Bonente até o momento. Ele também declarou que pretende processar criminalmente o advogado que citou seu nome.
"Fui durante anos um delegado muito atuante, responsável por várias operações e prisões amplamente veiculadas pela mídia. Isso infelizmente dá motivos para advogados inescrupulosos usarem o meu nome para extorquir os seus clientes, como o caso em tela", explicou Pinheiro Lopes, sugerindo que seu nome possa ter sido usado indevidamente.
## Histórico de Afastamento
Em dezembro de 2024, Fabio Pinheiro Lopes foi afastado do cargo de diretor do Deic após ser mencionado em uma delação premiada do empresário Vinícius Gritzbach. Na ocasião, Gritzbach alegou ter pago R$ 5 milhões a um advogado para obter vantagens em uma investigação de lavagem de dinheiro conduzida pelo Deic em 2022. Pinheiro Lopes negou veementemente as acusações, classificando-as como falsas e afirmando que Gritzbach mentiu ou foi enganado. Apesar de suas negativas, o governo paulista determinou o afastamento durante o curso das apurações. Posteriormente, o Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação contra ele por falta de provas.
A investigação da PF, que resultou na Operação Exchange, visa desmantelar uma estrutura financeira complexa que, segundo as autoridades, movimentou quantias bilionárias para ocultar a origem de recursos do tráfico internacional. Os mandados de prisão e busca e apreensão foram expedidos para diversas localidades, incluindo a residência da ex-esposa de Victor Henrique de Oliveira Shimada em Santos.