PF nega interferência eleitoral em apuração de fraudes no INSS
PF nega influência eleitoral em investigação sobre fraudes no INSS. Diretor-geral afirma que apuração segue trâmites legais e prioriza casos complexos. Prazo para análise de material apreendido foi solicitado.

A Polícia Federal (PF) refutou nesta sexta-feira (3) quaisquer alegações de influência do período eleitoral nas investigações da operação "Sem Desconto", que apura um esquema de fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em declarações à imprensa, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, assegurou que o inquérito está em curso dentro dos procedimentos regulares e com total imparcialidade, como parte da responsabilidade institucional.
Rodrigues explicou que a priorização de outras investigações, especialmente aquelas que envolvem crimes de maior complexidade e com prisões preventivas em andamento, é uma exigência legal. Ele destacou que a operação "Sem Desconto" conta com uma equipe robusta de investigadores e que todas as etapas do processo têm sido acompanhadas de perto pelo Ministério Público e pelo ministro relator no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
O diretor-executivo da PF, William Murad, também contestou a ideia de que a corporação esteja procrastinando diligências devido a fatores eleitorais ou limitações de pessoal. "Temos mais de 40 mil investigações em curso. Há uma priorização de investigações complexas. É inverdade que a PF não consegue concluir por escassez de recursos humanos ou para não priorizar [o caso] por questão eleitoral. Isso não condiz com a realidade", afirmou Murad.
## Prazo e Análise de Material
No início desta semana, a PF solicitou ao ministro André Mendonça uma prorrogação de prazo para concluir o inquérito da operação "Sem Desconto". O pedido detalha que ainda há material apreendido desde a primeira fase da operação, em abril do ano passado, que necessita de análise completa. Essa solicitação surge após uma determinação do STF, via gabinete do ministro Mendonça, que cobrou a conclusão em até 60 dias da avaliação de dispositivos como celulares, HDs e pen drives apreendidos com os investigados, além daqueles alvo de mandados de busca e apreensão.
Pessoas próximas ao ministro apontam que outras investigações, como o caso Master, que teve sua operação inicial deflagrada sete meses após a do INSS, demonstram um avanço mais significativo e um volume menor de itens pendentes na perícia. A PF havia informado anteriormente que conseguiria analisar o material apreendido dos presos preventivos do INSS em 30 dias, mas necessitaria de até seis meses para examinar os itens dos demais envolvidos.
Esta nova etapa solicitada pela PF inclui a análise de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de figuras como Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essas quebras de sigilo foram autorizadas pelo ministro em fevereiro. O inquérito abrange também ex-dirigentes do INSS, empresários, líderes sindicais, dirigentes de associações, políticos e servidores públicos.
Embora o ministro Mendonça ainda não tenha respondido formalmente ao pedido de prorrogação, a expectativa é de que ele conceda mais tempo para a conclusão das diligências, estabelecendo um novo prazo limite para a finalização dos trabalhos pela Polícia Federal.