PMs do RJ presos por vender arma apreendida em Belford Roxo
MPRJ prende 3 PMs e denuncia 11 no RJ por venda de arma apreendida em Belford Roxo. Operação Patrinus investiga desvio de conduta e corrupção no 39º BPM.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma nova fase da Operação Patrinus, resultando na prisão de três policiais militares nesta terça-feira (30). Os agentes, um cabo e dois sargentos, são acusados de se apropriarem de uma pistola calibre 9 mm, apreendida em julho de 2021 na comunidade da Caixa D’Água, em Belford Roxo, e vendê-la por R$ 6 mil. Um quarto militar, um sargento, já estava detido.
A investigação, que apura desvios de conduta no 39º Batalhão de Polícia Militar (BPM) em Belford Roxo desde 2024, revelou que o valor da venda da arma foi dividido entre os policiais. A descoberta ocorreu por meio da análise de mensagens, fotografias e áudios encontrados no celular de um dos denunciados, além do afastamento do sigilo bancário.
## Esquema de Corrupção Ampliado
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ), com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, denunciou os militares pelos crimes de peculato e comércio ilegal de arma de fogo. Segundo o MPRJ, os policiais se "valeram justamente das prerrogativas, facilidades operacionais e confiança institucional inerentes ao exercício da função pública para a prática dos crimes".
A Operação Patrinus já desarticulou outros esquemas de corrupção envolvendo o 39º BPM. Em maio de 2024, 13 policiais foram presos na primeira fase, acusados de vender armas e drogas apreendidas, cobrar propina de transportadores e oferecer "proteção" a comerciantes mediante pagamento.
Em julho de 2025, o Gaesp prendeu nove PMs por atuarem como seguranças privados durante o expediente. Em agosto do mesmo ano, outros dez policiais foram detidos sob suspeita de cobrar propina para prestar segurança armada a estabelecimentos comerciais. Em maio deste ano, um cabo e 11 PMs foram denunciados por suspeita de corrupção, com alegações de recebimento de propinas semanais entre outubro de 2021 e fevereiro de 2024 para garantir segurança a comércios.
A atuação do MPRJ visa coibir a atuação criminosa dentro das forças de segurança pública, buscando restaurar a confiança da população nas instituições.