Policiais do Detro-RJ cedidos a deputados estaduais são exonerados

Policiais e outros servidores do Detro-RJ foram exonerados após auditoria revelar que atuavam na segurança de deputados estaduais, em vez de cumprir suas funções originais.

Policiais do Detro-RJ cedidos a deputados estaduais são exonerados

Uma auditoria interna no Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) expôs uma situação irregular envolvendo servidores públicos. Dos 360 funcionários do órgão, 120 foram exonerados por não cumprirem suas funções essenciais, como registrar ponto, acessar sistemas ou fazer login em computadores. Entre os desligados estão policiais militares, um bombeiro e um policial civil, que foram devolvidos às suas corporações de origem.

Fontes internas indicam que cinco agentes, originalmente cedidos ao gabinete do Detro-RJ, estariam, na verdade, prestando serviços de segurança para deputados estaduais. Essa prática levantou questionamentos sobre o uso de recursos públicos e a real finalidade da cessão desses profissionais.

## Auditoria e Exonerações em Massa

Desde 23 de março, o governo interino do Rio de Janeiro, sob o comando de Ricardo Couto, já exonerou 4.283 comissionados, a maioria sob suspeita de ser "fantasma". O processo de auditoria abrange os 77 órgãos estaduais, com 60 já concluídas. O objetivo é identificar e eliminar o desperdício de recursos e garantir que os servidores estejam efetivamente desempenhando suas funções.

## Detro-RJ e a Fiscalização do Transporte

O Detro-RJ é a autarquia responsável pela fiscalização e regulamentação do transporte intermunicipal de passageiros no estado. A atuação dos policiais cedidos, segundo o ex-presidente da entidade, Raphael Salgado, seria para garantir a segurança de fiscais em operações de combate ao transporte ilegal. Salgado, que foi exonerado em maio, mas logo assumiu como chefe de gabinete de um deputado estadual, declarou desconhecer que os policiais fizessem segurança de parlamentares, mas ponderou que nada impediria que prestassem outros serviços em dias de folga.

## Relações e Controvérsias

Salgado também mencionou que os agentes atuavam na segurança de fiscais, que, por não portarem arma, necessitariam de proteção. Ele sugeriu que a atuação dos policiais em horários de folga para outros serviços não era de sua competência. No entanto, a revelação sobre a segurança de deputados levanta dúvidas sobre a gestão e o cumprimento das normas.

A Polícia Militar confirmou que os servidores cedidos recebem salário-base de suas corporações, e a gratificação pelas funções comissionadas é paga pelo órgão requisitante. O Ministério Público do Rio acompanha as auditorias em andamento, buscando garantir a integridade e coibir a sonegação fiscal.