Professora relata trauma após PMs armados entrarem em escola
Professora de SP sofreu estresse pós-traumático após PMs armados entrarem em escola por desenho de orixá. Ela e o filho precisaram de acompanhamento psicológico.

Uma professora da EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, relatou ter desenvolvido estresse pós-traumático e precisado se afastar do trabalho após a entrada de policiais militares armados na escola em novembro do ano passado. A situação ocorreu após o pai de uma aluna de 4 anos denunciar um desenho da orixá Iansã, alegando que a unidade promovia "aula de religião africana". A educadora, que ocupava interinamente a diretoria, descreveu a abordagem como hostil e coercitiva, afirmando que o tenente comandante da equipe a acusou de "ditar ideologia".
A professora, com 20 anos de experiência, necessitou de acompanhamento psicológico e medicação para ansiedade. O filho dela, aluno da mesma escola, também presenciou a cena e desenvolveu medo da polícia, precisando de apoio psicológico. Ela questiona a necessidade da presença armada em uma ocorrência pedagógica e critica a influência de crenças pessoais na atuação de servidores públicos.
O caso, que gerou um inquérito sobre intolerância religiosa e levou o pai a ser indiciado, evidenciou para a educadora a necessidade de capacitação de agentes públicos para lidar com diversidade e liberdade religiosa, além de expor a crescente tensão entre famílias e escolas.