Celulares Android Podem Salvar Vidas em Terremotos

Celulares Android com sistema de alerta do Google agora ajudam a prever terremotos, emitindo avisos antecipados para milhões de usuários. Tecnologia usa sensores dos aparelhos para detectar tremores.

Celulares Android Podem Salvar Vidas em Terremotos

A tecnologia por trás dos smartphones Android está se mostrando uma ferramenta promissora na detecção e alerta precoce de terremotos. Recentemente, o sistema do Google alertou milhões de venezuelanos sobre dois abalos sísmicos, um de magnitude 7,2 e outro de 7,5, ocorridos em 24 de junho. Os alertas foram enviados a 11,4 milhões de usuários, concedendo a eles desde alguns segundos até dois minutos para buscar segurança antes do impacto direto. Este avanço é particularmente significativo para países como a Venezuela, que carecem de sistemas nacionais de alerta sísmico, aumentando o potencial do sistema do Google para prevenir fatalidades e ferimentos.

O funcionamento do sistema se baseia na utilização dos acelerômetros presentes em milhões de celulares Android. Estes sensores, comumente usados para ajustar a orientação da tela, são capazes de identificar o movimento do solo causado por um terremoto, especificamente a onda P, que é a primeira a se propagar. Ao detectar essa onda, o celular envia um sinal para os servidores do Google. A gigante da tecnologia, então, agrega as informações de múltiplos dispositivos na área afetada para estimar a localização, extensão e intensidade do tremor. Com base nesses dados, um alerta é enviado para outros aparelhos Android na região. A detecção da onda P, que viaja mais rápido e é menos destrutiva que a onda S, permite um tempo de reação crucial para a população.

## Dois Níveis de Alerta para Maior Segurança

O sistema do Google aciona notificações para terremotos de magnitude 4,5 ou superior, oferecendo duas modalidades de alerta. O modo "Be aware" (Esteja Ciente do Alerta) é emitido para tremores de menor intensidade. Já o modo "Take Action" (Alerta de Ação) é destinado a abalos mais fortes, ocupando toda a tela do dispositivo com um sinal sonoro proeminente, instruindo os usuários a tomarem medidas de proteção. Para que o sistema funcione, os celulares precisam estar conectados à internet (via rede móvel ou Wi-Fi) e ter os serviços de localização e o alerta de terremotos (EEW) ativados. Durante os eventos na Venezuela, ambos os tipos de alerta foram emitidos, com cerca de 1,4 milhão de usuários recebendo o aviso mais grave.

## Expansão e Desafios do Sistema

Publicado em 2025, um artigo de Marc Stogaitis, engenheiro de software do Google, detalhou o desenvolvimento deste sistema global. Na época, o alerta de terremotos do Android estava disponível em cerca de 100 países. O Google estima que essa tecnologia tenha multiplicado por dez o número de pessoas com acesso a alertas sísmicos precoces, elevando o total de 250 milhões em 2019 para 2,5 bilhões em 2025. No entanto, o sistema já enfrentou desafios. Em fevereiro de 2025, um alerta foi emitido no Brasil, cobrindo áreas como São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, indicando um possível tremor com epicentro no mar, próximo a Ubatuba (SP). Contudo, nem a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) nem instituições internacionais detectaram qualquer atividade sísmica na região. O Google, na ocasião, desativou o alerta no Brasil e iniciou uma investigação, pedindo desculpas pelo inconveniente. A empresa ressalta que seu sistema de alerta não visa substituir sistemas oficiais, mas complementar a segurança pública.