Japão aposta em motores a hidrogênio para mobilidade sustentável
Japão investe em motores a hidrogênio, mais baratos e versáteis que células de combustível, com Kawasaki e Toyota liderando o desenvolvimento para diversas aplicações de mobilidade.

A indústria automobilística japonesa está apostando forte em uma nova fronteira da energia limpa: os motores de combustão a hidrogênio. Empresas como Kawasaki Heavy Industries e Toyota Motor estão na vanguarda do desenvolvimento, buscando consolidar essa tecnologia como uma alternativa viável e de menor custo em comparação às tradicionais células de combustível.
A Kawasaki Heavy Industries, por exemplo, está desenvolvendo o O'Cuvoid, uma unidade compacta de geração de energia que utiliza um motor a hidrogênio para produzir eletricidade. A expectativa é que este dispositivo, com cerca de um metro quadrado e potencial de 35 quilowatts, possa ser utilizado como uma espécie de “bateria” externa, com aplicações em mobilidade e atividades ao ar livre. A empresa vislumbra seu uso em veículos de quatro rodas e até em vagões de trem, mediante a instalação de múltiplas unidades. A tecnologia empregada no motor a hidrogênio do O'Cuvoid deriva da experiência da Kawasaki com motocicletas, incorporando um supercompressor para otimizar a queima do combustível.
## Expansão e novas aplicações
Yoshimoto Matsuda, diretor executivo da Kawasaki Heavy, projeta um futuro ambicioso para o negócio de pequenas unidades, com um objetivo de centenas de bilhões de ienes em receita em uma década. O hidrogênio, apesar de sua leveza e inflamabilidade, exige controle rigoroso na combustão, mas a capacidade de adaptar tecnologias existentes é vista como um diferencial. Além das aplicações energéticas, a Kawasaki planeja integrar o motor a hidrogênio do O'Cuvoid ao Corleo, um robô quadrúpede similar a um cavalo, previsto para 2035, com a proposta de transportar passageiros em terrenos acidentados.
O governo japonês também sinaliza seu compromisso com o hidrogênio, com a meta de aumentar o fornecimento para 20 milhões de toneladas métricas até 2050, dez vezes o volume atual. A criação de demanda por dispositivos movidos a hidrogênio é vista como crucial para a redução de custos através da produção em larga escala.
## Células de Combustível vs. Motores a Hidrogênio
As células de combustível, que geram eletricidade por meio de reações químicas, foram pioneiras na popularização do hidrogênio, com o sedã Mirai da Toyota, lançado em 2014, sendo um marco na produção em massa. Contudo, os motores a hidrogênio ganham novo fôlego. Projeções indicam que o mercado mundial de motores de combustão a hidrogênio superará os US$ 20 bilhões em 2036, ultrapassando o mercado de células de combustível.
A principal vantagem dos motores a hidrogênio reside no custo. Fabricados majoritariamente com ferro e alumínio, são mais baratos que as células de combustível, que dependem de metais raros como a platina. O custo total do sistema pode ser significativamente menor, e a manutenção se beneficia da expertise existente em motores de motocicletas e automóveis. Outro ponto a favor é a flexibilidade quanto à pureza do hidrogênio: enquanto células de combustível exigem mais de 99% de pureza, os motores podem operar com misturas de hidrogênio e gás natural, tolerando menores níveis de pureza.
## Desafios e Potencial Futuro
As células de combustível levam vantagem em eficiência energética, com cerca de 60% de conversão, contra 40% dos motores a hidrogênio. Além disso, as células são consideradas de menor impacto ambiental, pois os motores a combustão podem emitir óxidos de nitrogênio. Apesar das diferenças, muitos especialistas defendem o desenvolvimento paralelo de ambas as tecnologias, vistas como complementares para o avanço do hidrogênio.
A Toyota tem demonstrado o potencial dos motores a hidrogênio em competições, como na série Super Taikyu com seu GR Corolla movido a hidrogênio, evidenciando desempenho comparável aos veículos a gasolina. A empresa também explora o hidrogênio líquido, reforçando sua jornada na busca por soluções energéticas sustentáveis.