Tecnologia como 'Deus': filósofo alerta para riscos
Filósofo holandês Nolen Gertz alerta que a tecnologia pode se tornar uma nova 'religião', com a IA substituindo a fé e a busca por otimização humana negligenciando o valor da vida.

A crescente influência da inteligência artificial levanta debates éticos importantes. Nolen Gertz, professor de filosofia aplicada na Universidade de Twente, na Holanda, alerta que a tecnologia pode estar ocupando o lugar antes reservado à religião. Ele compara essa tendência à frase de Friedrich Nietzsche "Deus está morto", sugerindo que a sociedade contemporânea transfere sua fé para a tecnologia.
Gertz critica a ideia de que a tecnologia, especialmente através de dispositivos como wearables, promete uma vida mais longa e saudável, tratando o corpo humano como uma máquina a ser otimizada. Pesquisas indicam que a população deseja cada vez mais ferramentas tecnológicas para monitorar saúde, peso e até estado de espírito.
O filósofo também expressa preocupação com o transumanismo, movimento que busca aprimorar a capacidade humana com tecnologias emergentes. Para Gertz, essa visão de que a natureza é falha e a tecnologia a única solução pode levar a uma desvalorização da própria vida, encarada como um mero problema a ser resolvido tecnologicamente.