Toshiba: Venda de chips e energia nuclear se prova um erro
Toshiba se desfez de negócios de chips de memória e energia nuclear há 10 anos. Hoje, ambos prosperam, com a Kioxia valendo bilhões e a Westinghouse ganhando contratos para usinas nucleares.

Há dez anos, a Toshiba abandonou os setores de chips de memória e energia nuclear em meio a uma crise de gestão. Atualmente, ambos os ramos vivem um boom impulsionado pela inteligência artificial e pela necessidade de novas fontes energéticas. A Kioxia Holdings, antiga divisão de memória da Toshiba, é hoje a empresa mais valiosa do Japão, com ações que dispararam 71 vezes desde seu IPO e valor de mercado de US$ 346 bilhões.
Apesar de a Toshiba ainda deter 16% da Kioxia, a empresa busca reduzir sua participação. O plano de Atsutoshi Nishida, ex-presidente da Toshiba, era consolidar semicondutores e energia nuclear como pilares de crescimento. Contudo, conflitos internos, metas de lucro infladas e fraudes contábeis, somados a enormes prejuízos na operação nuclear americana da Westinghouse, levaram a companhia a vender outros ativos, como eletrônicos e computadores.
A Westinghouse declarou falência em 2017, impactando severamente o patrimônio da Toshiba e ameaçando sua listagem na bolsa. Em um movimento para evitar a deslistagem, a empresa optou por vender sua unidade de memória. A decisão, contudo, a fez perder um negócio que se tornaria extremamente valioso, especialmente com a atual demanda gerada pela IA. A Westinghouse, por sua vez, voltou a prosperar, integrando planos bilionários para a construção de usinas nucleares.