70% dos Brasileiros Querem Menores Criminosos Punição de Adulto
Pesquisa Datafolha revela que 70% dos brasileiros apoiam que menores infratores sejam punidos como adultos, um aumento em relação a 2022. O apoio à reeducação caiu.

Uma pesquisa recente do Datafolha aponta um endurecimento significativo na opinião pública brasileira em relação à punição de adolescentes que cometem atos infracionais. De acordo com o levantamento divulgado na última sexta-feira (3), 70% dos brasileiros defendem que menores infratores sejam tratados como adultos perante a lei. Este índice representa um crescimento em relação a 2022, quando 65% da população compartilhava da mesma opinião.
Em contrapartida, o apoio à reeducação e medidas socioeducativas para menores em conflito com a lei registrou uma queda. Apenas 27% dos entrevistados demonstraram concordar com a priorização da reeducação, um recuo considerável em comparação aos 34% registrados em 2022. Uma pequena parcela, de 3%, não soube se posicionar sobre o tema.
É importante ressaltar a distinção jurídica no Brasil. Embora a pesquisa tenha utilizado o termo "crimes", o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) classifica as condutas ilícitas praticadas por menores de 18 anos como "atos infracionais". A legislação brasileira prevê um sistema penal juvenil com medidas específicas, distintas do sistema adulto, visando a proteção e a ressocialização do adolescente.
O aumento da percepção pública favorável a uma punição mais severa para menores levanta debates sobre a eficácia das políticas atuais de segurança pública e ressocialização. Especialistas apontam que a discussão envolve um complexo equilíbrio entre a necessidade de responsabilização, a garantia dos direitos da criança e do adolescente e a busca por soluções que reduzam a reincidência criminal.
A pesquisa do Datafolha, que abrange o eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto, reflete um sentimento crescente na sociedade brasileira por medidas mais rigorosas em relação à criminalidade, incluindo a participação de jovens nesse cenário. O fato de a defesa pela punição de adultos ter subido de 65% para 70% em dois anos sinaliza uma demanda social por respostas mais duras.