Acusações a Desembargadores do TJMT são questionadas

Empresários acusam desembargadores do TJMT de irregularidades em decisões sobre Fazenda Eldorado. Juristas defendem que inconformismo não é infração.

Acusações a Desembargadores do TJMT são questionadas

Uma reclamação disciplinar foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por empresários contra seis desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). As acusações envolvem decisões sobre a disputa da Fazenda Eldorado, em Barra do Garças, propriedade avaliada em mais de R$ 350 milhões. Entre as alegações estão violações funcionais, falta de imparcialidade e suspeitas de "compra de decisões judiciais".

Especialistas em direito apontam que a natureza recursal das decisões judiciais é ignorada na reclamação, transformando o inconformismo de uma parte em suspeita disciplinar. A posse de compradores no imóvel, segundo juristas, decorreu de decisões submetidas ao contraditório e à ampla defesa. A longevidade do processo, que se arrasta há mais de uma década, e a complexidade de litígios rurais milionários não configurariam, por si só, desvio funcional ou fraude.

A acusação de "compra de decisões" é considerada a mais grave, exigindo provas concretas e não se baseando em ilações ou leitura unilateral de atos jurisdicionais. O CNJ tem competência para apurar desvios, mas não para atuar como instância revisora do mérito judicial. A discordância com decisões deve ser feita por recursos legais, e a via disciplinar não pode servir como atalho para reabrir discussões já julgadas, preservando a independência da magistratura.