Acusações a desembargadores do TJMT sob escrutínio

Empresários acusam desembargadores do TJMT de irregularidades em disputa milionária pela Fazenda Eldorado. Juristas alertam que inconformismo judicial não configura infração.

Acusações a desembargadores do TJMT sob escrutínio

Uma reclamação disciplinar foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra seis desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A ação, movida por empresários, alega violações funcionais e parcialidade em decisões relacionadas a uma disputa judicial pela Fazenda Eldorado, em Barra do Garças, propriedade avaliada em mais de R$ 350 milhões. As acusações incluem suspeitas de "compra de decisões judiciais".

Especialistas e advogados ouvidos pelo Circuito Mato Grosso ressaltam que a natureza recursal das decisões judiciais é frequentemente ignorada em casos como este. Segundo eles, discordâncias ou inconformismos de uma das partes não devem ser automaticamente interpretados como infração disciplinar ou corrupção. A permanência dos atuais possuidores do imóvel, por exemplo, decorre de decisões judiciais que passaram por contraditório e ampla defesa.

A reclamação também aponta a longevidade do processo como um indício de irregularidade, o que juristas refutam, argumentando que litígios complexos e de alto valor econômico naturalmente se estendem por anos. A acusação de "compra de decisões" é considerada a mais grave e exige provas concretas, sob risco de deslegitimar magistrados e pressionar o Poder Judiciário. O CNJ é competente para apurar desvios funcionais, mas não para reavaliar o mérito de decisões já transitadas.