Bolsonaro renuncia a posse de arma apreendida em blitz
Defesa de Jair Bolsonaro informa ao STF que ele não quer reaver arma apreendida em blitz durante prisão domiciliar, contradizendo fala anterior do ex-presidente.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o político não tem intenção de recuperar a arma apreendida em uma blitz. A arma em questão foi encontrada com um sargento do Exército durante uma fiscalização de trânsito em Taguatinga, no Distrito Federal, enquanto Bolsonaro cumpria regime de prisão domiciliar. A manifestação foi formalizada na noite de quinta-feira, 2 de maio.
Este posicionamento, no entanto, diverge de declarações anteriores do próprio ex-presidente. Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no dia 24 de junho, Bolsonaro havia expressado a necessidade de portar uma arma para sua segurança, alegando a presença de três mulheres em casa e a impossibilidade de ficar desarmado. A pistola Glock apreendida pertencia a ele.
## Contexto da Prisão Domiciliar
A Procuradoria-Geral da República (PGR), em um parecer emitido na quarta-feira, 1º de maio, manifestou-se a favor da manutenção do regime domiciliar para Bolsonaro. A PGR sugeriu que a arma permanecesse apreendida, mas ressaltou que as evidências coletadas no inquérito oferecem um "bom suporte" para a conclusão do caso em relação ao ex-presidente. O prazo de 90 dias concedido por Alexandre de Moraes para a prisão domiciliar se encerrou em 25 de junho, e o ministro aguarda para decidir se Bolsonaro permanecerá em casa ou retornará à unidade prisional conhecida como Papudinha.
## Investigação e Indiciamento
Dias antes do vencimento do prazo da prisão domiciliar, um sargento do Exército foi abordado em uma blitz de rotina em Taguatinga. O militar estava conduzindo um Honda Civic que pertencia a Bolsonaro. Durante a abordagem, os agentes de trânsito encontraram a pistola Glock. Após a instauração de um inquérito pela Polícia Civil do Distrito Federal, apenas o sargento foi indiciado pelas autoridades. O delegado Thiago Boeing Schemes da Silva concluiu as investigações e determinou que as apurações não apontam responsabilidade direta do ex-presidente no episódio da apreensão da arma.