Brasil pede desculpas por crime da ditadura contra ex-líder estudantil
Brasil pede desculpas formais por violações de direitos humanos cometidas na ditadura militar contra Paulo de Tarso Celestino, ex-líder estudantil da UnB desaparecido em 1971.

O Estado brasileiro formalizou um pedido de desculpas à população por graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar, mais de cinco décadas atrás. O reconhecimento oficial se dirige à memória de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno da Universidade de Brasília (UnB) e advogado, que desapareceu em 1971 após ser preso.
Celestino da Silva foi detido e levado à "Casa da Morte", um notório centro clandestino de prisão, tortura e execução operado pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Após sua detenção, o advogado nunca mais foi visto. A oficialização de sua morte só ocorreu em 1995, com a promulgação da Lei dos Desaparecidos Políticos, mas seu corpo jamais foi encontrado.
A cerimônia de retratação pública aconteceu na UnB, instituição onde Paulo de Tarso se formou em direito e onde se destacou como uma figura proeminente no movimento estudantil. O ato foi realizado em memória de sua trajetória e luta.
Jarbas Marques, colega de faculdade de Paulo de Tarso, ressaltou a importância do evento. "Esse ato aqui é um ato de respeito à história, à vida e à luta do Paulo Celestino e de outros presos políticos que morreram, que foram assassinados", declarou Marques, enfatizando o significado do reconhecimento para as vítimas e suas famílias.
A iniciativa busca reparar, ainda que simbolicamente, as atrocidades cometidas pelo regime militar, reafirmando o compromisso com a memória, a verdade e a justiça. O desaparecimento e a tortura de opositores políticos foram marcas sombrias de um período que o Brasil busca ativamente confrontar e superar.