Deputado pode perder mandato após briga com manobrista
Relator do Conselho de Ética da Alep pede cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) após briga de rua com manobrista em Curitiba. Decisão final adiada.

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) avança na análise de um processo que pode resultar na cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT). Nesta quarta-feira (6), o relator do caso, Márcio Pacheco (PP), solicitou a perda do cargo do parlamentar. A decisão final, porém, foi adiada após um pedido de vista, que permite aos conselheiros examinar o relatório com mais detalhes.
O processo em questão apura o envolvimento de Renato Freitas em uma briga de rua ocorrida em novembro de 2025, no centro de Curitiba, com um manobrista. Imagens da confusão, que circularam amplamente em redes sociais, mostram o deputado em agressões físicas em via pública. Segundo o parecer de Pacheco, o episódio configura quebra de decoro parlamentar e causou grande prejuízo à imagem da Alep e de seus membros.
## Justificativas para a cassação
O relator Márcio Pacheco listou três pontos principais que, em sua visão, justificam a cassação do mandato de Renato Freitas. O primeiro é a própria ocorrência de "vias de fato", ou seja, agressão física, durante o exercício do mandato. O segundo motivo alegado é que tal procedimento afeta a dignidade da representação popular. Por fim, o comportamento é considerado incompatível com o decoro parlamentar e uma afronta às instituições.
Pacheco ressaltou que um deputado, ao se envolver em uma briga, expõe não apenas a si mesmo, mas toda a Assembleia Legislativa, o poder legislativo estadual e o eleitorado que o elegeu. Ele citou ainda o regimento interno da casa e julgados anteriores que levaram à cassação de outros parlamentares em situações semelhantes.
## Defesa alega legítima defesa
Em sua defesa, Renato Freitas sustentou que as agressões foram um ato de legítima defesa. Ele relatou que sua reação foi instintiva diante da agressividade do manobrista e da vulnerabilidade de sua companheira, que estava grávida na ocasião. No entanto, o relator Márcio Pacheco rejeitou essa tese, afirmando em seu relatório que o confronto não teria ocorrido se o deputado não tivesse desejado.
Este caso é um dos cinco processos que tramitam contra Renato Freitas no Conselho de Ética da Alep. As investigações envolvem desde manifestações e falas do deputado até episódios de confronto físico. As possíveis punições variam desde uma advertência até a cassação do mandato.
A discussão sobre o pedido de cassação foi suspensa e deve ser retomada na próxima reunião do Conselho de Ética, agendada para a segunda-feira seguinte. A expectativa é de que a decisão final sobre o futuro político de Renato Freitas seja definida em breve.