Intervenção em Turilândia: Relatório Revela Novas Suspeitas de Corrupção
Relatório de intervenção no Maranhão revela novas suspeitas de corrupção em Turilândia, com desorganização administrativa, licitações inexistentes e irregularidades em folha de pagamento e áreas de saúde e educação.

Um relatório detalhado, elaborado durante a intervenção estadual na Prefeitura de Turilândia, no Maranhão, trouxe à tona novas e graves suspeitas de corrupção e desvio de verbas públicas. A análise, apresentada ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), serviu de base para a manutenção do afastamento do prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió, da vice-prefeita Janaína Soares Lima e de outros indivíduos sob investigação.
O documento, denominado Relatório Circunstanciado de Intervenção, foi protocolado em 17 de junho de 2026, após cem dias de atuação dos interventores no município. Segundo a Justiça, o relatório apresentou elementos que indicam a continuidade de práticas ilícitas, obstrução de investigações e interferência nas apurações em curso. A intervenção, inicialmente, foi determinada para afastar o prefeito e a vice por 180 dias, período durante o qual o defensor público Thiago Josino assumiu interinamente a gestão municipal.
## Desorganização Administrativa e Fraudes em Licitações
O relatório descreve um quadro de profunda desorganização administrativa na prefeitura. A ausência de processos de licitação, tanto físicos quanto digitais, e a falta de integração entre setores cruciais como compras, contabilidade e contratos dificultavam severamente o controle sobre os gastos e a execução de serviços. Essa falha, segundo a Justiça, gerava inconsistências em estoques, contratos e na validação de informações, abrindo margens para pagamentos indevidos. A fiscalização de contratos também foi apontada como deficiente, com portarias nomeando fiscais sem que houvesse relatórios concretos de execução, o que poderia mascarar pagamentos por serviços não realizados, como no caso de combustíveis, iluminação pública e coleta de lixo.
Um dos pontos mais alarmantes é a não localização de processos licitatórios de anos anteriores, incluindo o de 2025. A informação de que esse acervo teria sido levado para um escritório particular em São Luís levanta sérias questões sobre a guarda de documentos públicos e a autonomia administrativa do município. A equipe de intervenção, ao chegar ao setor de compras, encontrou ainda a ausência de equipamentos básicos, como computadores e mobiliário, evidenciando um cenário de paralisação.
## Problemas na Folha de Pagamento e Suspeitas em Saúde e Educação
A folha de pagamento da prefeitura também apresentou irregularidades significativas. O relatório identificou a exclusão de 534 servidores sem justificativa aparente após o início das investigações. Adicionalmente, a gestão teria falhado em alimentar corretamente o sistema eSocial, o que poderia prejudicar os servidores em suas declarações à Receita Federal e em contribuições previdenciárias ao INSS. A extensão dos prejuízos a esses servidores ainda está sob apuração.
Suspeitas de fraudes nas áreas de Saúde e Educação também foram destacadas. Indícios apontam para o uso de recursos de fundos como o FPM e o Fundeb, além da Contribuição de Iluminação Pública (CIP), para custear despesas pessoais do núcleo político investigado, incluindo aluguéis de imóveis de luxo e mensalidades de faculdades de medicina. Na Educação, a criação de 57 unidades escolares em um município com cerca de 33 mil habitantes levantou suspeitas de inflamento artificial para aumentar repasses de fundos específicos.