Investigação aponta uso de fé como ativo financeiro

Investigação da PF sobre o caso Digimais expõe como a confiança religiosa é usada como ativo financeiro, levantando debates sobre a intersecção entre fé e mercado.

Investigação aponta uso de fé como ativo financeiro

A investigação da Polícia Federal sobre o caso Digimais, banco associado ao bispo Edir Macedo, revela uma nova dinâmica no mercado: a fé sendo utilizada como ativo financeiro. A confiança depositada em líderes religiosos, mensurada em pesquisas, agora se estende a produtos como contas digitais, cartões e crédito. Especialistas apontam que essa conversão da confiança religiosa em infraestrutura econômica pode reduzir a percepção de risco para os fiéis, levando-os a uma adesão que transcende a alocação de capital e toca na reafirmação de identidade.

O juiz federal Renato Câmara Nigro destaca que o problema não reside no povo evangélico, mas no uso econômico da fé. Ele compara essa movimentação à lógica midiática já dominada por lideranças religiosas, que transformaram autoridade espiritual em reputação pública. A financeirização é vista como o próximo passo, adentrando o terreno do crédito e investimento.

Embora casos como o do Digimais (com investigações criminais por suspeitas de irregularidades contábeis e regulatórias) e o Clava Forte (ligado à Lagoinha e André Valadão, que operou como correspondente bancário) apresentem estruturas distintas, a lógica de converter confiança religiosa em mecanismos econômicos é comum. A discussão levanta a questão laica sobre o que ocorre quando poder religioso, imunidade tributária, mídia, política e crédito se unem, exigindo que a laicidade também observe aplicativos, CDBs e fundos.