Justiça do RJ Guarda Relíquias do Futebol Brasileiro
Arquivos do TJRJ guardam processos históricos sobre futebol, incluindo o furto da Taça Jules Rimet, disputas de álbuns de figurinhas e o sequestro do pai de Romário.

O acervo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) preserva uma rica coleção de processos que narram momentos marcantes da história do futebol brasileiro. Entre os casos mais notórios estão os relacionados ao furto da Taça Jules Rimet, em 1983, um troféu icônico que esteve em posse definitiva do Brasil após as vitórias nas Copas de 1958, 1962 e 1970. O documento sobre este roubo, que chegou a ficar sem identificação precisa nos arquivos, reflete a ligação afetiva do país com o torneio.
Outro processo de destaque envolve disputas judiciais sobre o álbum de figurinhas "Heróis do Tri", lançado em 1988. Jogadores tricampeões moveram ações contra a CBF e a Editora Abril por uso indevido de imagem, contribuindo para o fortalecimento do direito de imagem dos atletas e a evolução da legislação esportiva, como a Lei Pelé. O acervo também abriga o caso de sequestro do pai do jogador Romário, ocorrido em 1994, às vésperas da Copa do Mundo, um episódio que mobilizou o país e as forças de segurança.
Segundo Gilberto de Souza Cardoso, diretor da Divisão de Gestão de Documentos do TJRJ, esses registros judiciais são "histórias vivas" que ajudam a compreender não apenas o esporte, mas também diferentes momentos da sociedade brasileira. A preservação desses documentos permite resgatar a memória de protagonistas e a relação intrínseca entre futebol, justiça e o cotidiano nacional.