Latrocínio em BH: Jurista detalha cálculo de pena e impacto da saúde mental
Após caso de latrocínio em BH, jurista explica como pena é calculada, a importância de laudos psiquiátricos e como violência extrema pode influenciar a condenação.

O brutal assassinato de um casal de idosos em Belo Horizonte reacende o debate sobre a aplicação da lei em casos de latrocínio. Embora as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais ainda estejam em curso para determinar todos os detalhes do crime e os envolvidos, as circunstâncias da morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, levantam questionamentos sobre a caracterização do crime e o cálculo da pena.
## O que é Latrocínio e como a pena é calculada?
Segundo o advogado criminalista Paulo Crosara, o latrocínio é classificado como um crime de roubo qualificado pelo resultado morte. Sua gravidade se reflete na pena prevista em lei, que varia de 24 a 30 anos de reclusão. "Ele está dentro do Código Penal no capítulo do roubo, mas possui uma das maiores penas da legislação brasileira", explica o jurista.
A complexidade do caso se intensifica com as alegações da principal suspeita, Paola Stefany Neto Cirino, que teria afirmado ter agido sob um surto psicótico e ouvido vozes que a mandavam matar as vítimas. A defesa da acusada reforça o histórico de transtornos mentais e internações psiquiátricas.
## Saúde Mental e a Imputabilidade Criminal
Crosara esclarece que alegações de problemas psiquiátricos, como ouvir vozes, não são suficientes para isentar o acusado de responsabilidade criminal. Para que o juiz considere tais fatores, é necessário apresentar elementos concretos. "Internações psiquiátricas, relatórios médicos, todo esse histórico médico de um réu ou de uma ré são levados em consideração para o juiz instaurar o que a gente chama de incidente de insanidade mental", detalha o advogado.
Este incidente é um processo à parte que visa determinar se o acusado possuía capacidade de entender a ilicitude de seus atos no momento do crime. Caso seja comprovada a inimputabilidade, o indivíduo não é condenado criminalmente, mas pode ser submetido à chamada absolvição imprópria, que pode levar à internação compulsória por tempo indeterminado, com reavaliações periódicas.
## Violência e Coautoria na Dosimetria da Pena
A extrema violência empregada no crime, com um dos idosos atingido por 43 facadas e a outra por 17, chamou a atenção. Embora o Código Penal não preveja um aumento automático da pena com base no número de golpes, o especialista ressalta que a intensidade da violência pode ser um fator considerado pelo juiz na dosimetria da pena. "O fato de uma vítima ter recebido 43 facadas e a outra 17 pode ser entendido como uma circunstância mais grave e influenciar a dosimetria da pena", pontua.
A suspeita de coautoria, ou seja, de que a mulher não agiu sozinha, também é um ponto relevante. Diferentemente do roubo simples, onde a coautoria geralmente implica em aumento de pena, no latrocínio, essa questão pode ser avaliada pelo juiz como uma circunstância do crime, influenciando na fixação da pena, especialmente se houver indícios de planejamento e atuação conjunta.