PF conclui investigações sobre fraudes no INSS e Banco Master

Polícia Federal prepara envio ao STF de conclusões sobre fraudes no INSS e Banco Master. Investigação aponta para descontos indevidos em aposentadorias e crimes financeiros, com possíveis conexões políticas.

PF conclui investigações sobre fraudes no INSS e Banco Master

A Polícia Federal (PF) está prestes a apresentar à Justiça as conclusões de duas investigações de grande repercussão: os descontos ilegais em benefícios do INSS e as atividades criminosas financeiras ligadas ao extinto Banco Master. A expectativa é que o relatório preliminar sobre o caso do INSS seja finalizado ainda neste mês, enquanto as apurações sobre o Master devem ser concluídas "muito em breve", conforme anunciado pelo diretor da PF para Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali.

Em coletiva de imprensa, Cali, ao lado do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, detalhou as linhas de investigação. No que tange às aposentadorias, a principal hipótese da PF aponta para um "desconto associativo não autorizado" sobre os benefícios. A Operação Sem Desconto desvendou um esquema onde entidades cobravam contribuições de associados sem o consentimento destes, contando com a participação de funcionários do próprio INSS para viabilizar a fraude.

A investigação, no entanto, não se limita a essa modalidade de ilícito e continuará a apurar outras irregularidades descobertas. O inquérito, que tem o juiz André Mendonça como condutor no Supremo Tribunal Federal (STF), receberá o relatório final neste mês. Rumores sobre uma possível paralisação da investigação durante o período eleitoral foram veementemente negados pelo diretor-executivo da PF, William Murad. Ele assegurou que a Operação Sem Desconto conta com recursos humanos suficientes e que a apuração segue em ritmo acelerado, com diversas ações de campo, prisões e análise de material apreendido.

## Caso Banco Master e Conexões Políticas

O juiz André Mendonça também é o responsável pela Operação Compliance Zero, que investiga os crimes atribuídos ao Banco Master. A PF considera a hipótese de fraudes no sistema financeiro. Uma proposta de delação premiada feita pelo dono do banco, Daniel Vorcaro, foi rejeitada pela PF e pela Procuradoria Geral da República (PGR) por não apresentar informações novas.

Recentemente, o caso ganhou destaque com a revelação da proximidade entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Investigações apontam que o senador teria cobrado do banqueiro o pagamento de valores prometidos para o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa relação motivou a abertura de um inquérito pela PF para apurar a destinação de emendas parlamentares, no valor de R$ 2 milhões, destinadas por deputados do PL ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), controlado pela produtora do filme.

O inquérito foi autorizado pelo ministro Flavio Dino, do STF, a pedido de deputados governistas e está sob sua relatoria. A investigação visa esclarecer se houve irregularidades na destinação dessas emendas. Paralelamente, o STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, analisa um pedido para investigar Flávio Bolsonaro e a produção do filme "Dark Horse" em relação ao caso Master. A Procuradoria Geral da República, por meio do procurador-geral Paulo Gonet, analisa o mérito do pedido, que pode levar à investigação do senador e do filme.