Rio de Janeiro: 1 em cada 3 comissionados exonerados por não trabalhar
Auditoria no Rio de Janeiro revela que 1 em cada 3 funcionários comissionados recebia sem trabalhar. Exonerações geram economia de R$ 355 milhões e expõem loteamento de cargos.

Uma auditoria na folha de pagamento do funcionalismo público do Rio de Janeiro expôs uma prática alarmante: aproximadamente um terço dos funcionários em cargos comissionados recebia salários sem comparecer ao trabalho. A investigação, determinada pelo governador interino Ricardo Couto, abrangeu todos os 77 órgãos da administração estadual, confirmando a existência de "funcionários fantasmas" em todas as esferas.
Desde março, o governo fluminense exonerou 4.283 servidores comissionados, o que representa 30% do total de 14.340 pessoas que ocupavam essas posições. Essas exonerações, que visam combater o desperdício de recursos públicos, devem gerar uma economia estimada em R$ 355 milhões ao ano, um valor significativo para as finanças do estado, que se encontram em situação delicada.
## Loteamento de Cargos e Ineficiência
A prática de nomear para cargos comissionados, muitas vezes baseada em indicações políticas e não em mérito ou competência, é apontada como uma das principais causas para o problema. Deputados da Assembleia Legislativa do Rio, por exemplo, são frequentemente associados ao "loteamento" dessas vagas, o que perpetua um sistema onde a indicação política se sobrepõe à necessidade de serviço público qualificado.
O Rio de Janeiro também se destaca negativamente pela proporção de comissionados em relação ao total de servidores ativos. Enquanto no estado são 7,9% (de 181 mil servidores), São Paulo registra 1,3%, Santa Catarina 0,8% e o Distrito Federal 6,3%. Essa disparidade evidencia um problema estrutural na administração pública brasileira, que necessita de um "choque de austeridade", conforme sugerido pela própria análise.
## Situações Inacreditáveis e Impacto Financeiro
A Controladoria-Geral do Estado detalhou situações inacreditáveis. Na Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, 128 "funcionários" foram encontrados apenas no gabinete do secretário, com 86% deles sem jamais terem acessado o sistema. Já na pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, havia 150 pessoas em cargos comissionados, mas apenas 90 possuíam estações de trabalho.
Secretarias como Trabalho (78,6%), Esporte e Lazer (75,6%) e Turismo (73,3%) foram as que mais tiveram cortes de comissionados. O governo argumenta que a ausência desses servidores não prejudicará o serviço prestado à população, uma vez que, em muitos casos, eles não desempenhavam funções efetivas.
A economia gerada pelas exonerações é um alívio financeiro para o Rio de Janeiro. Contudo, o caso transcende a questão orçamentária, levantando um debate sobre a subversão do uso do Estado como "cabide de empregos" para apadrinhados políticos. A necessidade de auditorias regulares e abrangentes é destacada como crucial, pois o problema não é exclusivo do Rio, mas sim um desafio nacional para a gestão pública.