Veterinária acusada de incendiar marido é solta com tornozeleira
Veterinária acusada de incendiar o marido em Campo Grande é solta com tornozeleira eletrônica por 90 dias. Juiz considerou vídeo da vítima e ação de socorro.

A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a soltura da médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, que estava presa preventivamente sob acusação de ter ateado fogo no marido. A decisão, proferida pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande, concedeu liberdade provisória com a imposição do uso de tornozeleira eletrônica por um período de 90 dias.
## Fato novo muda cenário judicial
A reviravolta na situação de Lidiane ocorreu após a defesa apresentar um vídeo gravado pela própria vítima enquanto se recuperava no hospital. No material, o marido afirma que a esposa tentou socorrê-lo após o incidente e que não teve a intenção de matá-lo. Este vídeo foi considerado um fato novo relevante pelo magistrado, que reavaliou os fundamentos da prisão preventiva.
Além do vídeo, o juiz destacou a reação imediata de Lidiane após o ocorrido. Segundo os autos, há indícios de que ela prontamente socorreu o marido, encaminhou-o ao hospital e chegou a queimar as próprias mãos na tentativa de apagar as chamas. Essa conduta, segundo o magistrado, pode influenciar a análise sobre a responsabilidade da veterinária no processo.
## Condições para liberdade provisória
Para que Lidiane pudesse responder em liberdade, o juiz estabeleceu algumas condições. Além do uso da tornozeleira eletrônica por 90 dias, ela deverá comparecer ao fórum a cada 30 dias para apresentar comprovantes de trabalho e residência fixa. O magistrado também levou em consideração o fato de Lidiane não possuir antecedentes criminais e ser mãe de uma criança menor de 12 anos.
## Reversão de decisão anterior
A decisão desta sexta-feira reverte o entendimento anterior do mesmo juiz, que em 29 de junho havia negado o pedido de revogação da prisão. Naquela ocasião, o juiz considerou a gravidade do episódio e a assistência prestada pela filha mais velha do casal ao irmão, além de manter a prisão. A defesa argumentou na época que Lidiane precisava cuidar do filho de 9 anos, que estava sob os cuidados da irmã mais velha enquanto o pai permanecia internado.
## Relato da vítima
No vídeo que mudou o curso do processo, o marido relatou que houve uma discussão e que a esposa jogou álcool nele e em sua mochila. Ele afirmou não se lembrar exatamente de como as chamas começaram, mas levantou a possibilidade de uma bituca de cigarro ter provocado o fogo. Ele detalhou que, ao perceber o incêndio, saiu rolando para apagar o fogo e que Lidiane o ajudou, arrancando sua blusa em chamas e queimando a mão no processo. Ele enfatizou que ela foi quem o socorreu e o levou ao hospital desesperadamente.